Se a redução do preço do etanol é boa para o consumidor, é preocupante para o produtor. O presidente da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), Miguel Rubens Tranin, diz que o custo de produção gira em torno de R$ 1,30 por litro. "Com a previsão de queda do preço de venda para R$ 1,10, estamos vendendo com prejuízo."
Ele não acredita em reajuste do preço da gasolina, que daria maior margem para a elevação do valor do etanol e reduziria as perdas da Petrobras. Tranin, que participa das negociações dos produtores com o governo federal, diz que a presidente Dilma Rousseff demonstrou que fará de tudo para o dólar cair, com foco no combate à inflação. "Não creio em mudança na política do setor, até pelas manifestações."
Diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sindicombustíveis) do Paraná, Dinho Sprenger diz que não há um elo da cadeia que trabalhe com margem aceitável, nem mesmo distribuidoras ou postos. Ele vê a necessidade de investimento em estrutura, como tanques para armazenagem do etanol, o que permitiria a manutenção de um preço mais apropriado continuamente. "Também tivemos fechamento de usinas e por isso vai sobrar cana no campo", diz. Tranin rejeita essa teoria. "A cana vai sobrar no campo por causa das chuvas. As usinas têm condições de receber a produção." (F.G.)

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