O governo conseguiu neutralizar uma crise no abastecimento de diesel. Após uma reunião entre técnicos do Ministério de Minas e Energia, donos de distribuidoras e revendas, ontem, ficou decidido um reajuste de 42,85% para a margem de lucro do litro do diesel combustível. A medida impedirá o desabastecimento do produto, a partir da próxima segunda-feira, quando está prevista a greve nacional dos caminhoneiros. Os empresários ameaçaram não encher os tanques dos postos com o produto caso não houvesse uma aumento da margem de lucro.
O presidente da Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), Aldo Guarda, afirmou que no dia 1º de fevereiro o lucro dos proprietários de postos de gasolina sobre o preço do litro do diesel passará de R$ 0,07 para R$ 0,10. Guarda disse que em abril deste ano haverá um outro ajuste da margem de lucro, o que chegaria a R$ 0,116, um novo aumento de 16%.
A mobilização do governo deveu-se ao fato de que os empresários, caso decidissem pela não comercialização do diesel, poderiam ajudar na greve dos caminhoneiros. Coube ao ministro Rodolfo Tourinho tentar um acordo com os empresários. Ontem, no início da tarde, o assessor do ministério Marco Antônio Martins Almeida reuniu-se com Guarda e mais representantes das distribuidoras e revendas na tentativa de fechar um acordo.
‘‘O importante é que esse ajuste na margem de lucro das empresas não será repassado para o preço do litro do combustível’’, afirmou Guarda. O aumento será compensado por meio da Parcela de Preço Específica (PPE), fundo que representa a diferença entre o preço dos derivados de petróleo faturado nas refinarias e o preço de realização da Petrobras.
Guarda enfatizou também que as empresas não estão aproveitando a mobilização dos caminhoneiros para tentar obter resultados financeiros. Ele informou que no ano passado, cerca mil postos fecharam por causa de prejuízos com o comércio desse combustível. ‘‘O que houve, na verdade, foi uma coincidência de datas’’, assegurou Guarda.
Para o empresário, o acerto na margem de lucro poderá estancar o processo de fechamento dos postos de combustíveis. Outro ponto importante, segundo ele, é a inadimplência que teria chegado a 40% do montante diesel comercializado no País.

mockup