Dos juros cobrados pelos bancos nos empréstimos concedidos a seus clientes, cerca de 26,3% correspondem à margem de lucro acumulada pelas instituições financeiras, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central.
Outros 30% se referem à taxa de captação dos bancos, ou seja, aos juros pagos pelos próprios bancos para captar dinheiro no mercado. Essa taxa segue, de perto, a taxa básica (Selic), definida pelo BC.
Isso significa que, se os juros são altos no Brasil, os principais motivos são a margem de lucro obtida pelos bancos e o elevado nível da taxa Selic, que atualmente está em 19% ao ano.
Além desses dois componentes, os juros praticados no mercado são influenciados por despesas administrativas como o pagamento de funcionários e impostos pagos pelos bancos.

O diretor de Política Econômica do BC, Ilan Goldfajn, diz que ''ainda há espaço para redução de todos os componentes''. Desde o final de 1999, o BC implantou um programa que tem por objetivo reduzir os juros e o ''spread'' bancário diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa de juros cobrada dos clientes.

Até agora, porém, os números mostram que o custo de tomar um empréstimo continua tão alto como em 1999. No mês passado, os juros médios praticados pelos bancos estavam em 65,8% ao ano, nível mais elevado desde novembro de 1999.

Goldfajn afirma que, neste ano, a elevação dos juros se deu por motivos ''conjunturais'', tais como o racionamento de energia, a crise argentina e o desaquecimento da economia mundial, que fez com que os bancos ficassem mais cuidadosos na hora de emprestar dinheiro e cobrassem juros maiores.

Além disso, esses fatores também levaram à suspensão de medidas adotadas no final de 1999. A alíquota de recolhimento de compulsório dinheiro que os bancos são obrigados a recolher ao BC , por exemplo, foi elevada, numa tentativa de frear a alta do dólar. O objetivo foi fazer com que o mercado tivesse menos dinheiro disponível para investir na moeda dos EUA.

Em 1999, o compulsório foi reduzido para que os bancos tivessem mais recursos que pudessem ser usados na concessão de empréstimos, o que levaria, em tese, a uma redução dos juros.

O BC também elevou a taxa Selic em 3,25 pontos percentuais neste ano, numa tentativa de impedir a desvalorização do real. A elevação dos juros básicos acaba provocando um aumento na taxa praticada no mercado.

Segundo documento divulgado ontem pelo BC, diante das incertezas enfrentadas pela economia brasileira neste ano, ''a prioridade na redução dos juros ao tomador deu lugar à missão principal do Banco Central na busca da estabilidade monetária''.

mockup