Várias manifestações contra a violenta repressão policial e a morte de um jovem durante a recente cúpula do G-8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia) foram realizadas ontem em Paris e em várias cidades italianas, entre elas Roma, Gênova (que sediou a cúpula), Milão e Florença. Na capital italiana, mais de 50.000 pessoas marcharam atrás de uma faixa com a palavra ‘‘assassinos’’.
No Parlamento, a oposição de centro esquerda propôs uma moção pedindo um voto de confiança para o ministro do Interior, Claudio Scajola, que é responsável pela polícia nacional, e a abertura de uma investigação parlamentar obre a violência policial.
Os 93 manifestantes estrangeiros que continuam presos em Gênova serão processados criminalmente e poderão pegar penas que variam de seis meses a cinco anos de prisão. Outros 15 italianos também foram indiciados. Segundo o promotor-chefe da cidade, Luigi Francesco Meloni, as acusações incluem conspiração, resistência à prisão e, em alguns casos, posse de armas e explosivos.
Em Paris, pela segunda vez desde a cúpula, cerca de 200 manifestantes antiglobalização franceses reuniram-se diante da embaixada italiana e protestaram contra a repressão policial.
No BrasilUm grupo de cerca de 100 manifestantes bloqueou ontem à tarde os portões do consulado italiano em São Paulo. O grupo protestava contra a morte de Carlo Giuliani durante confrontos com a polícia italiana em Gênova. Gritando palavras de ordem contra o governo daquele país e contra o capitalismo, os jovens caminharam pelas calçadas até a avenida Higienópolis, onde fica o consulado.
Cerca de 40 policiais militares acompanharam à distância a manifestação. Muito dos participantes do protesto escondiam o rosto com lenços, capuzes e gorros. Em frente do prédio consular tentaram ser ouvidos e compreendidos pelos diplomatas utilizando carro de som e expressões em italiano. ‘‘Assassinos, assassinos’’ gritavam. ‘‘Oxigênio para o mundo e morte ao capitalismo’’ estampava uma das faixas fixadas na grade do consulado.
O cônsul Gianluca Cortese conversou com policiais e disse que poderia receber uma comissão. Os manifestantes no entanto não formaram tal comissão, assinaram dois abaixo assinados e disseram que se manteriam no local até às 22 horas. Por volta das 18 horas, eles ainda mantinham a manifestação pacífica, que não chegou a prejudicar o trânsito. (Com AE)

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