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sexta-feira, 05 de fevereiro de 2016
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
A cadeia do setor automotivo continua amargando maus resultados tanto na produção como no emplacamento de veículos novos no País. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou ontem os números atualizados do setor, que comprovam que 2016 continuará difícil para as indústrias e concessionárias. Com a produção em queda, fabricantes como Ford, GM, Fiat e Volkswagen irão prorrogar as férias coletivas durante o Carnaval e fazer interrupções pontuais na linha de montagem.
De acordo com a Anfavea, em janeiro de 2016 foram produzidas 145,1 mil unidades de veículos leves a pesados, enquanto no mesmo período de 2015 o total ficou em 205,3 mil unidades, queda de 29,3%. Em relação ao mês de dezembro, quando a produção foi de 142,8 mil unidades, houve elevação de 1,6%.
Já os licenciamentos registraram retração de 38,8%, com a venda de 155,3 mil unidades em janeiro deste ano. Em igual mês do ano passado, foram comercializadas 253,8 mil. Na comparação com o mês de dezembro, quando foram vendidos 227,8 mil veículos, houve queda de 31,8%. Das fábricas alocadas no Paraná, apenas a Renault, que fica em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), confirmou à reportagem uma queda na produção estadual: de 15,3 mil unidades de veículos de passeio e utilitários em janeiro de 2015 para 8,7 mil este ano. Retração de 43,1%.
Vale dizer que no último triênio (2013-2015), a produção nacional despencou 34,5% e os licenciamentos, 31,8%. O presidente da Anfavea, Luiz Moan Yabiku Junior, disse que as empresas continuam reduzindo a produção para se ajustar à demanda. "No início de janeiro do ano passado, as alíquotas do IPI retornaram de forma integral. Os estoques no começo do ano (passado) continham ainda muitos veículos com a taxa antiga, o que impulsionou as vendas naquele período. E justamente por isso, já havia adiantado que o primeiro mês de 2016 apresentaria esta queda nos licenciamentos. Da mesma forma, é importante lembrar que o primeiro trimestre deste ano será igualmente desafiador devido ao contexto macroeconômico", justificou o presidente, em entrevista coletiva.
VERMELHO
Com os números atualizados na mesa, a expectativa da entidade é que 2016 feche no vermelho na casa dos 7% em relação às vendas. No que diz respeito à produção, Moan acredita que será possível uma leve elevação de 0,5%. Já as exportações continuam aquecidas para o setor. As atividades encerraram o mês com alta de 37,1%, com 22,3 mil unidades enviadas para o mercado externo. "Continuamos priorizando as exportações e trabalhando com o governo na abertura de novos mercados neste primeiro semestre", salientou Moan, que aguarda uma negociação importante entre os governos do Brasil e Argentina que pode impulsionar o setor.
Por fim, os estoques sofreram pequena diminuição de 271 mil para 254 mil unidades. "Os estoques ainda estão altos e a produção deve continuar sendo ajustada nos próximos meses. Vivemos um impacto na capacidade ociosa de produção, que está muito elevada, e por isso o nível de emprego está praticamente estável". Segundo a entidade, em janeiro estavam empregadas 129,3 mil pessoas na indústria automobilística, 0,3% a menos do que em dezembro. Na comparação com janeiro do 2015, a queda é de 10,2%. (Com agências)



