Marcas próprias aliviam o bolso do consumidor
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de setembro de 2008
Cláudia Palaci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Entre a diversidade de marcas de produtos disponíveis nas gôndolas dos supermercados, o que vem ganhado destaque nos últimos tempos são as marcas próprias. São artigos costumizados, feitos sob medida, confeccionados por um fornecedor auditado em boas práticas de controle, em responsabilidade sócio-ambiental, sustentabilidade e segurança alimentar que, além da qualidade podem representar economia no bolso do consumidor.
Segundo a Associação Brasileira de Marcas Próprias (Abmapro) o repasse de custos de produção ocorre de maneira menos agressiva em itens deste tipo. Um estudo da Abmapro indica que a economia pode chegar a 20% na boca do caixa em comparação às marcas líderes. A participação desses produtos nas vendas dos supermercados alavacaram em 2007, quando as vendas representaram 27,3% dos produtos comercializados por estes estabelecimentos. De acordo com um estudo da Nielsen - empresa especializada em pesquisa de mercado - este índice correspondeu a 7% do total do faturamento registrado em 2007. Para este ano o setor tem a expectativa de crescimento de 20% nas vendas.
Em muitos casos, os produtos são oriundos de empresas que também fornecem para as marcas líderes de mercado. Ele podem ser rotulados com a bandeira da loja ou com a de uma linha exclusiva. O varejo nacional registra 29.754 itens de marcas próprias e as categorias com maior índice são: alimentar, bebidas, limpeza doméstica, higiene e beleza, bazar, eletroeletrônicos, têxtil.
A presidente da Abmapro Neide Montesano afirma que em decorrência do aumento do volume das vendas de marca própria nos últimos anos, os fornecedores conseguiram adquirir uma capacidade de negociação que permite um repasse menor de custo. O resultado é preço baixo com qualidade. ''Neste período de alta da inflação, muita gente experimentou os produtos por uma questão de corte no orçamento e aprovou'', revela.
O aposentado Celso Santi diz ter o hábito do consumo de marcas próprias principalmente o açúcar, pão, feijão, arroz e óleo. ''Tenho confiança e estou satisfeito com a qualidade'', afirma. A dona de casa Leila Regina Fink não tem receio de abrir mão das marcas habituais pelas exclusivas, apenas reclama do preço. ''O item com a bandeira do supermercado é só um pouco mais barato, então, às vezes, vale à pena levar aquilo que eu já conheço. Se eu percebesse com clareza a economia, eu compraria mais'', avisa. Outra consumidora já é mais otimista: ''Eu compro sempre os materiais de limpeza. Os de marcas líderes estão muito caros e não sinto diferença no resultado'', analisa Lorenita dos Santos, que diz manter a preferência por algumas marcas no segmento de alimentação.
A qualidade, segundo a Abmapro, está aliada ao conceito de bem estar e modernidade. ''Há itens de marcas próprias que não têm concorrência por serem inovadores, nos alimentos isso acontece mais''. Em função de uma melhor comunicação com os clientes - o maior desafio, no Brasil e no mundo -, o consumo saltou de 39% para 51% em alguns países Europa, de acordo com estudos da Nielsen em maio de 2008.
No setor supermercadista, 31% das empresas consultadas oferecem ao consumidor itens de marca própria. Nas três maiores companhias do setor o número total de mercadorias desse tipo diminuiu 18,5%, no último ano, segundo a Nielsen. A principal razão foi a redução da oferta de têxteis em geral.
Uma rede francesa, somente na categoria de alimentos, possui mais de 900 itens com a sua marca. Em 2007, as vendas dos itens de todas as categorias cresceram 30%. Além de alimentos, a rede oferece cosméticos, têxteis, bicicletas e itens para casa, esporte e lazer de marca própria. Outro destaque é para uma empresa atacadista que tem cerca de 800 produtos distribuídos em seis linhas com posicionamentos e objetivos diferentes. Eles representam 8% do total das vendas e já registraram um crescimento de 30% apenas neste ano.
A boa fase não atinge apenas os supermercadistas. Outros segmentos apontam números lucrativos. Uma rede de farmácias com 500 lojas em sete estados do País comercializa seis linhas de marca própria - a maioria da categoria Higiene e Beleza, com 55 apresentações de 31 produtos. No ano passado, elas registraram vendas de mais de R$ 3 milhões. ''Apresentamos como um diferencial, pela exclusividade e atestado de qualidade assinado pela rede, além de vantagens como embalagens diferenciadas ou econômicas'', afirma Paulo Shima, diretor da rede. Para 2008, os investimentos em marca própria devem chegar a R$ 100 mil, em busca de um crescimento de 35% nas vendas.


