Marca Mercosul é saída para exportar
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de outubro de 1998
Dimitri do Valle 
Desenvolver produtos com a marca Made in Mercosul foi a principal recomendação feita ontem, no encerramento do Seminário Mercosul, em Curitiba. O encontro discutiu formas de promoção das micro, pequenas e médias empresas e o documento final, a Carta de Curitiba, vai servir de subsídio para as negociações entre os presidentes dos países do Mercosul.
Segundo o assessor especial do Ministério da Indústria e Comércio, Ruy Pereira, o documento aprovado ontem em Curitiba será encaminhado ao Grupo Mercado Comum, formado pelos vice-ministros de integração do Mercosul, que se reúne em novembro. Esse grupo extrairá do nosso texto o essencial e certamente repassará para a Cúpula dos Presidentes que acontece em dezembro no Rio de Janeiro, complementou Pereira.
Os participantes do fórum querem reverter um desequilíbrio constatado no Mercosul: menos de 3% do valor das exportações vêm das micro, pequenas e médias empresas. Em contrapartida, cerca de 50% dos empregos gerados no Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina vêm dos pequenos empreendimentos.
Com a marca Made in Mercosul, os empresários latinos querem seguir uma tendência seguida pelos países de blocos econômicos como o Nafta (México, Estados Unidos e Canadá) e a União Européia.
Acredito que conseguimos os resultados que buscávamos e temos certeza de que, conforme prometeu o presidente Fernando Henrique, nossas sugestões sejam discutidas a fundo em todos os fóruns do Mercosul, afirmou, em seu discurso, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes Carvalho.
De acordo com a Carta de Curitiba, os pequenos empreendedores querem o apoio para formar consórcios para exportação, visando incrementar as transações comerciais. Eles reivindicam também a eliminação de barreiras burocráticas com a adoção de procedimentos simplificados, de implementação e benefícios rápidos, para exportações de baixo valor. O documento destaca ainda a importância de intensificar o diálogo com a União Européia, para ampliar as possibilidades de parceria entre as empresas.
O estímulo à Internet também foi destacado pelos empresários. A maior rede de informações por computador do planeta deverá ser um instrumento para multiplicar negócios através do oferecimento de facilidades específicas para os investimentos de cada empresa. A proposta prevê a criação de um banco de informações sobre oportunidades de negócios para divulgar cadastros de importadores e exportadores.
Para o assessor Ruy Pereira, o governo considerou que os objetivos do Seminário Mercosul foram atingidos. Foram mais de 900 participantes, de diferentes setores produtivos e seis mesas redondas com uma pauta de debates realmente interessante, destacou Pereira. Ele acrescentou que o ministro José Botafogo Gonçalves elogiou a organização do encontro.


