Máquinas ajudam, mas protagonismo é humano nas cidades inteligentes

Apresentações no EncontrosFolha, realizado na última quarta-feira, enfatizaram a importância do cidadão ser o foco no planejamento

Publicado sábado, 11 de julho de 2026 | Autor: Lúcio Flávio Moura e Simoni Saris às 06:00 h

Sensores, robôs, câmeras, oferta abundante de dados, conectividade absoluta. O futuro das cidades se desenha a partir da tecnologia e em 2026 parece muito evidente que ainda é preciso conversar sobre em que pé estamos neste processo e como é preciso agir para moldá-lo mais humano, afastando aquele risco de um cenário desolador explorado em filmes distópicos feitos de poeira e desespero.

Debatedores e público que estiveram na noite da última quarta-feira (8) no Centro de Eventos do Aurora Shopping, na Gleba Palhano, zona sul de Londrina, não perderam a oportunidade de aprofundar esta reflexão sobre como manter as rédeas da tecnologia em mãos de gente pensante, atenta e responsável para construir arranjos urbanos melhores que os atuais.

A 26ª edição do “EncontrosFolha - Conteúdo com Relevância”, iniciativa do Grupo Folha de Londrina de Comunicação que há 12 anos oferece ao Paraná oportunidades de qualificação a partir de palestras e debates com especialistas, abordou o tema de cidades inteligentes como ecossistemas vivos, com suas potencialidades para impactar a mobilidade urbana, a segurança e a conectividade das pessoas com projetos da iniciativa privada e dos governos.

“A cidade é um organismo em constante movimento, formado por cidadãos, empresas, academia, poder público, imprensa, instituições e comunidade. Cada uma dessas partes tem um papel essencial e quando elas se conectam a cidade se torna mais preparada para o futuro”, afirmou o CEO do Grupo Folha, José Nicolás Mejía, no pronunciamento de abertura do evento.

“A mobilidade é um dos grandes desafios urbanos. Como garantir deslocamentos mais rápidos, seguros, acessíveis e sustentáveis. Como integrar veículos particulares, transporte público, bicicletas, pedestres e a outras novas soluções de micromobilidade? Como planejar uma cidade em que o tempo das pessoas seja respeitado e em que o trânsito não seja um obstáculo ao desenvolvimento, pelo que o trânsito, seja parte de uma solução mais ampla para melhorar a qualidade de vida? A conectividade é outro fator fundamental. Conectar uma cidade não significa apenas ampliar redes e sistemas, significa também conectar pessoas a serviços públicos mais eficientes, empresas a novos mercados, estudantes ao conhecimento”, prosseguiu.


icon-aspas Como planejar uma cidade em que o tempo das pessoas seja respeitado e em que o trânsito não seja um obstáculo ao desenvolvimento
José Nicolás Mejía - CEO do Grupo Folha

“Já segurança é uma condição essencial para que uma cidade seja vida, seja democrática e próspera. Segurança pública, segurança viária, segurança digital, prevenção, monitoramento inteligente e integração entre forças e instituições. São temas que caminham juntos. Uma cidade inteligente deve proteger os seus cidadãos sem abrir mão da liberdade, da privacidade e da confiança”. defendeu.

O diretor executivo do Grupo Folha de Londrina, Paulo Sergio da Silva, fala sobre o papel estratégico da mobilidade urbana: “Ela influencia a produtividade, a competitividade, a inclusão social e a qualidade de vida. Mobilidade eficiente reduz distâncias, aproxima oportunidades e transforma tempo de deslocamento em tempo para viver. Da mesma forma, a conectividade deixou de ser um diferencial para se tornar infraestrutura essencial. Cidades conectadas tomam decisões melhores, prestam serviços mais eficientes e ampliam a participação dos cidadãos na construção das soluções urbanas”.

Na primeira palestra da noite, o prefeito de Londrina Tiago Amaral destacou as dificuldades que encontrou “da porta para dentro” da administração municipal, mesmo com a cidade se destacando em rankings nacionais de smart cities.


icon-aspas Cidades conectadas tomam decisões melhores, prestam serviços mais eficientes e ampliam a participação dos cidadãos na construção das soluções urbanas
Paulo Sergio da Silva - Diretor executivo do Grupo Folha de Londrina

Em seguida, Luiz Gustavo Comeli, coordenador executivo do Hub de GovTech PR, uma plataforma do governo estadual que desenvolve soluções tecnológicas para o setor público em parceria com startups, defendeu que os municípios vivem uma nova fase na relação com o ecossistema de inovação. Para ele, não basta mais políticas públicas para fomentar este ambiente, mas que o momento exige investimento direto na aquisição de tecnologias e dados disponíveis no mercado para melhorar a performance do governo.

Na terceira palestra, a engenheira civil e pesquisadora na área de transportes públicos, Georgia Briano, da equipe da paulistana Urucuia, uma empresa de assessoria especializada na área de mobilidade urbana, definiu a mobilidade urbana como um sistema circulatório essencial para a convivência urbana e defendeu a inteligência neste ambiente como um conjunto de soluções simples e sustentáveis que promova a participação cidadã e a redução das desigualdades. Para ela, uma cidade que funciona bem depende de uma liderança visionária capaz de priorizar o transporte coletivo em detrimento do uso individual do automóvel.

Orofessor da PUC Paraná em Londrina e consultor de inovação Cristiano Russo
Orofessor da PUC Paraná em Londrina e consultor de inovação Cristiano Russo | Foto: Roberto Custodio

No debate que encerrou a programação, mediado pelo professor da PUC Paraná em Londrina e consultor de inovação Cristiano Russo, um assunto predominou: a modernização dos municípios paranaenses exige soluções ágeis e uma quebra nas barreiras burocráticas tradicionais. Comeli e Amaral expuseram os caminhos da inovação aberta e os desafios estruturais para avançar na segurança pública local.

Para acelerar a digitalização de forma eficiente, o hub tecnológico paranaense adotou a estratégia de focar em soluções de mercado já validadas. “Em vez de olhar para o governo e tentar conectar o desafio, eu trouxe o que já está pronto no mercado”, explicou Comeli.

Segundo ele, o objetivo é apresentar um “cardápio” pronto aos prefeitos do Estado, aproveitando que muitas cidades já possuem bases legais ativas. “O ‘copia e cola’ dos documentos legais está pronto. A implementação é o próximo desafio”, completou.

Mesmo com marcos jurídicos pioneiros, o prefeito ponderou que a realidade interna das administrações ainda é arcaica. Ele revelou que o município enfrentou o colapso recente de seu sistema tributário devido à obsolescência tecnológica, exigindo pressa em uma licitação que tramitava desde 2020.

Amaral destacou o receio jurídico como um grande obstáculo para a inovação. “O medo impera lá dentro. Qualquer inovação passa por um processo de debate tão grande que demanda muita pressão do próprio prefeito para avançar.”

Apesar dos entraves, Londrina anunciou medidas estruturais na segurança e gestão urbana. O prefeito confirmou a homologação e o andamento de três editais estratégicos. O projeto inclui a contratação de uma rede neutra de fibra óptica arrendada e o pregão para a compra de mais de três mil câmeras dotadas de inteligência artificial na nuvem. A infraestrutura de transporte de dados contará também com tecnologia de internet via satélite Starlink. Segundo Amaral, o município estuda o desenvolvimento de um modelo de LLM (Learn Language Model) próprio voltado para a gestão pública, uma inteligência artificial avançada.


icon-aspas Ou trazemos a gestão inteligente por dados, ou os governos vão quebrar
Tiago Amaral - Prefeito de Londrina

O investimento visa combater o vandalismo e otimizar os recursos humanos na esfera pública. “Não há mais margem para o aumento de gastos com pessoal. Ou trazemos a gestão inteligente por dados, ou os governos vão quebrar”, alertou o prefeito.

A eficiência do monitoramento por vídeo também foi reforçada por Comeli, que pontuou a relevância de gerar “sensação de insegurança para o criminoso”. O coordenador do hub lembrou que o tempo de resposta nas primeiras 48 horas é crucial, concentrando até 80% das chances de resolução de furtos e delitos urbanos.

Gestão de dados e inovação geram eficiência nos municípios

Hub GovTech PR aposta em dados, metas e soluções desenvolvidas por startups para tornar as administrações municipais mais eficientes e inovadoras

Embora cidades como Londrina figurem constantemente no topo de índices nacionais de desenvolvimento inteligente, a efetividade depende de indicadores em tempo real. Um exemplo prático disso, apontou o coordenador executivo do Hub GovTech PR, Luiz Gustavo Comeli, ocorre na área da saúde. Diante do clamor de gestores por aplicativos para gerenciar filas de consultas nas unidades básicas de saúde, o monitoramento de dados revela que o real problema, muitas vezes, está no índice de absenteísmo, que em alguns casos chega a atingir entre 20% e 25% das vagas agendadas. A solução eficiente, portanto, passa por otimizar o fluxo e a comunicação e não necessariamente por inflar o orçamento dos municípios contratando novos médicos especialistas.

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| Foto: Roberto Custodio

Essa gestão científica baseada em metas já encontra precedentes no Paraná. Um exemplo é Campo Mourão (Centro-Oeste), que no último mês de maio tornou-se a primeira cidade do Sul do país a obter a tripla certificação ISO de Cidade Inteligente, Resiliente e Sustentável ao adaptar normas internacionais que colocam mais de 370 indicadores em tempo real nas mãos do prefeito. O selo internacional foi emitido pela ABNT Certificadora.

A modernização das gestões públicas defendida pelo GovTech PR, afirmou Comeli, também exige um olhar metropolitano e integrado do território. Partindo do princípio de que cidades protagonistas não se desenvolvem isoladas, o coordenador executivo apontou como exemplo o adensamento logístico recente na região de Londrina e Cambé que impõe desafios imediatos de mobilidade urbana que ultrapassam limites geográficos.

No caso de Londrina, o coordenador executivo apontou como uma grande vantagem os 12 APLs (Arranjos Produtivos Locais). “Essa conexão entre o que a gente precisa, os arranjos produtivos, a sociedade civil organizada com a liderança pública, deve convergir para um modelo de gestão mais eficiente.”

Nesse processo, Comeli lança mão do conceito de ambidestria, que na gestão organizacional se traduz como a capacidade de equilibrar a operação eficiente no presente com a inovação voltada para o futuro.

Para tirar a teoria do papel, o hub tecnológico do Estado iniciou um programa de fomento. No primeiro edital de aceleração para startups com CNPJ ativo e soluções validadas, foram registradas 173 inscrições. Após as etapas de triagem, cerca de 80 projetos inovadores iniciarão uma trilha de desenvolvimento em agosto.

Mapeando o perfil dos inscritos, o hub identificou que 32% das startups propõem soluções voltadas para processos e gestão interna, como desburocratização e estabelecimento de metas de atendimento. As demais são healthtechs, voltadas à área da saúde, e as edutechs, focadas na educação.

Além disso, um segundo edital voltado para a incubação de ideias em estágio inicial já contabiliza mais de 60 projetos inscritos.

A estratégia agora prevê um circuito de visitas pelo interior paranaense para apresentar esse portfólio diretamente aos prefeitos e secretários municipais, priorizando as cidades que já estruturaram suas bases jurídicas locais com leis e conselhos municipais de inovação.

Utilizando ferramentas legais modernas que viabilizaram modalidades especiais de licitação, como as ETECs (Encomendas Tecnológicas) e as CPSIs (Compras de Soluções Inovadoras), criadas pelo Marco Legal das Startups, as prefeituras podem testar inovações sem as amarras da licitação tradicional. “A gestão pública hoje não pode ser só apoiadora do ecossistema de inovação e empreendedor. Agora ela precisa ser patrocinadora, compradora e investidora.”

Em Londrina, o ano de 2034 pode servir como horizonte temporal. O ano em que o município celebrará seu primeiro centenário poderá ser o limite ideal para que os APLs, as governanças locais e a liderança pública consolidem a transição definitiva rumo à eficiência digital, sugeriu Comeli.

Para o GovTech, a meta global prevê disponibilizar, até junho de 2028, pelo menos 300 startups ativas com soluções governamentais implementadas, transformando o Paraná no principal polo de referência em inteligência pública do Brasil.

Tecnologia para ‘enxugar a máquina burocrática’

Para o prefeito Tiago Amaral, a cidade deve aprender continuamente com os cidadãos e apresentar soluções

O DNA disruptivo de Londrina não é recente. O município iniciou sua virada tecnológica em 2007, com a criação do APL de TIC (Arranjo Produtivo Local de Tecnologia da Informação e Comunicação). Desde então, o envolvimento do Sebrae, juntamente com as universidades e representantes da sociedade civil organizada transformou o que era um setor isolado em governanças verticais e horizontais sólidas.

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| Foto: Roberto Custodio

Nos últimos anos, Londrina avançou no ranking Connected Smart Cities. Entre 2024 e 2025, subiu sete posições e chegou à 17ª colocação entre as cidades classificadas como as mais inteligentes do Brasil. Quando considerados apenas os municípios que não são capitais, Londrina fica entre os dez primeiros.

No entanto, ao assumir a administração municipal, em janeiro do ano passado, o prefeito Tiago Amaral observou que “da porta para dentro” a administração municipal carecia de soluções inovadoras. “Temos um monopólio exclusivo dos cidadãos londrinenses, mas isso não pode ser desculpa para a gente não ser eficiente e bom prestador de serviço”, disse Amaral, um dos painelistas convidados para a 26ª edição do Encontros Folha.

Dentre inúmeras dores, a prioridade foi resolver os problemas que impactavam diretamente o dia a dia da população. Foi assim que surgiu o Londrina On, uma plataforma unificada e omnichannel, com canais via aplicativo, WhatsApp, internet e telefone, facilitando o acesso de toda a população a serviços básicos, como capina e roçagem, tapa-buracos e iluminação pública. Em funcionamento desde o último mês de março, a plataforma já registrou 4,5 mil protocolos, com mais de 61% das demandas atendidas, segundo o prefeito.

Ao registrar uma solicitação com georreferenciamento, cada londrinense assume o papel de fiscal do município. “São 600 mil fiscais na rua”, contabilizou Amaral. Além da agilidade, ele ressaltou a eficiência, com maior economia de recursos humanos e financeiros. Em quatro meses de operação, a plataforma consumiu 0,2% do orçamento total da zeladoria, estimado em R$ 200 milhões. “Nós aumentamos, por exemplo, as equipes de limpeza de rua, de limpeza de resíduos. Conseguimos realmente reorganizar e reestruturar as nossas equipes.”

Os próximos passos da plataforma incluem o agendamento de consultas especializadas, cirurgias, além do cadastro de vagas em creches e escolas municipais. O sistema também passará a emitir avisos aos moradores, informando sobre obras e recapeamentos asfálticos programados para suas respectivas ruas. Na área de mobilidade urbana, os dados de deslocamento serão utilizados para planejar linhas de transporte coletivo e modais alternativos mais eficientes.

Para o prefeito, a automação e a inteligência artificial são as únicas ferramentas capazes de aliviar o peso da máquina burocrática. “Uma cidade inteligente é aquela que aprende continuamente com os seus cidadãos e transforma esse conhecimento em serviços públicos cada vez melhores para que a vida das pessoas seja cada vez melhor e o custo do município possa cair.”

Afinal, como é a mobilidade em uma cidade inteligente?

Engenheira Civil da Urucaia defende que, sem convivência, a tecnologia perde seu propósito e a cidade deixa de cumprir sua função

A Urucuia - Mobilidade Urbana é uma empresa de assessoria especializada que ajuda empresas e governos a solucionar problemas que afetam negócios e a qualidade de vida dos moradores. A equipe técnica da Urucuia estuda experiências e adapta projetos para a ampliação dos horizontes de sustentabilidade, para a promoção da mobilidade ativa, para o impulso da integração multimodal e para o aumento do acesso a oportunidades e serviços.

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| Foto: Roberto Custodio

O conhecimento acumulado pela empresa paulistana - com carteira de clientes em toda a América Latina - foi compartilhado com o público do EncontrosFolha. A engenheira civil Georgia Briano, formada pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, a mais respeitada do País, apresentou as bases de uma visão contemporânea de cidade e como ela se torna realmente inteligente nos seus deslocamentos e na sua convivência.

Na visão da Urucuia, as cidades surgiram há cinco ou seis milênios como resultado do excesso de produção, gerando a necessidade da troca destes excedentes. “Na mesma época surgiu a escrita e começou o registro da memória coletiva em documentos, mas também em prédios, ruas e parques”, explicou Briano. De algum modo, foi a partir daí que as noções de cidadania começaram a se evidenciar, porque os moradores além de ocupar espaços, acabavam se encontrando e fazendo reivindicações comuns.

Na cidade moderna, a tecnologia rege esta convivência e a participação nas decisões. “Mas como meio, não como fim”, ponderou a palestrante. Uma cidade pode ser tecnológica, mas se a inteligência eliminar a convivência, ela deixa de ser uma cidade. “A convivência é um pressuposto”, defendeu. O planejamento inteligente de uma cidade do século 21 exige coragem, capacidade de sedução e visão de longo prazo dos gestores. “A liderança visionária é apontada por planejadores urbanos como o fator mais importante da modernização de uma cidade”.

Georgia reforçou uma ideia que é conhecida desde meados do século passado mas que é sempre um desafio em metrópoles de grande ou médio porte: o transporte coletivo é drasticamente mais eficiente que o individual. Esta ideia se tornou ainda mais contemporânea com a urgência de descarbonização do planeta. “O uso do carro emite até 45 vezes mais dióxido de carbono e ocupa quase 11 vezes mais espaço por passageiro que o ônibus”, comparou. A palestrante também destacou que uma gestão municipal inteligente prioriza a segurança viária, lembrando que trata-se de uma “tragédia tolerada”, que consome anualmente R$ 50 bilhões e ocupa 60% das vagas de UTI do Sistema Único de Saúde.

Além de lideranças inspiradoras, com fome de inovação e que protegem estruturas de planejamento de longo prazo, tornando-as permanentes e resistentes às trocas de governo, a cidade inteligente usa intensivamente tecnologia de ponta e nunca despreza a massa de dados disponível, integrando estruturas de saúde e educação aos semáforos, por exemplo, ou implementando políticas de segurança, limpeza urbana e manutenção do mobiliário urbano a partir de uma mesma lógica espacial. “Também é inteligente ter capacidade de adaptar fluxos no caso de imprevistos nestes sistemas”, afirmou.

Para a Urucuia, a inteligência urbana deve priorizar a “redução de muros” e a distribuição equitativa de recursos em projetos de inclusão digital, além de incentivar os deslocamentos a pé e o uso da bicicleta.

Quando José Saramago, o Nobel de Literatura, um dia escreveu - “Chega-se mais facilmente a Marte do que ao nosso próprio semelhante” - já estava contribuindo para o debate sobre um novo tipo de cidade. Da mesma forma, João Guimarães Rosa, o genial autor de Grande Sertão: Veredas, quando cravou - “Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia“ - não imaginou que um dia estivesse ajudando a pensar o que precisamos fazer para termos cidades melhores.

A palestrante fez estas citações de grandes escritores da língua portuguesa para ilustrar as ideias que movem sua visão de smart city. “A tecnologia e a inteligência artificial trazem velocidade e padronização, porém o contexto, o julgamento ético e a gestão das consequências sociais e ambientais permanecem como tarefas exclusivamente humanas e políticas”.

Os participantes do 26 Encontros Folha comentam sobre a importância do tema

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| Foto: Roberto Custodio

“Isso é fundamental porque Londrina possui um ecossistema de inovação bastante forte e consistente. Uma das governanças do Estação 43, que é o nosso ecossistema de inovação, é justamente a de cidades inteligentes. Mais uma vez, o Encontros Folha está abordando esses temas de inovação e tecnologia, já tratamos de temas específicos de saúde, agronegócio e outros setores em edições anteriores. Portanto, a importância do Encontros Folha para movimentar e divulgar essa pauta é muito grande.”

João Cláudio Santilli, presidente consultivo da Estação 43 e da governança de Saúde Salus

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“Creio que é muito importante estarmos presentes para aprender, pois este é um tema muito discutido e as pessoas precisam se situar. Tenho participado de alguns eventos da Folha, cujos debates são fundamentais, e estou aqui para aprender. Observo que a Folha sempre convida pessoas relevantes no tema das cidades inteligentes. Precisamos de cidades inteligentes, mas também de pessoas inteligentes para administrá-las”.

Hylea Ferraz, diretora executiva do I Bravissimi Londrina, Associação de Cultura Italiana

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“É muito importante ter esses momentos de debate com grandes pensadores para discutir o futuro das cidades. Quando se fala em cidade inteligente, isso envolve diversas questões, como mobilidade, tecnologia e o próprio transporte público, que está totalmente inserido nesse conceito. Não existe uma cidade inteligente sem um transporte coletivo de qualidade. Esses momentos são fundamentais para debater esses assuntos, analisar alternativas, identificar o que tem funcionado para ser fomentado e o que ainda precisa ser aprimorado.”

Rogério Biceglia Martins, diretor executivo da TCGL (Transporte Coletivo Grande Londrina)

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“Vivemos em um mundo globalizado, onde passamos a ser uma sociedade da informação, o que significa que estamos todos conectados. O nosso mundo atual depende dessa conexão em rede. Pensar em cidades inteligentes é pensar em uma das conexões humanas mais importantes, não apenas para Londrina ou para o Estado do Paraná, mas para o Brasil. Nossa existência como comunidade humana depende do futuro da conectividade urbana. Por isso, o tema das cidades inteligentes é de extrema importância.”

Hodavias Bibiano, advogado angolano radicado em Londrina

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“Quando pensamos em cidades inteligentes, logo pensamos em tecnologia. Embora a tecnologia seja parte fundamental, também devemos focar no bem-estar da população nas áreas de saúde, transporte coletivo, educação e em todos os serviços prestados pela prefeitura ao cidadão. Uma cidade inteligente comporta todos esses segmentos. Outro ponto crucial são os dados gerados pela cidade. Eles são necessários para entender a dinâmica urbana, permitindo o tratamento dessas informações em benefício da própria população. Cidades inteligentes englobam uma gama de situações que promovem o bem-estar social. É fundamental que a Folha traga esse conteúdo para nossa cidade. Na entidade, discutimos isso semanalmente, e esse debate fortalece nossa atuação em benefício da população.”

Ângelo Pamplona, presidente do Fórum Desenvolve Londrina

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“Este tema é importante porque faz parte do cotidiano. As pessoas vivenciam a cidade inteligente diariamente, o que impacta na mobilidade, segurança e saúde, promovendo qualidade de vida ao cidadão. É essencial destacar que a gestão de indicadores é fundamental para que a cidade se conheça e possa se posicionar como inteligente. Muitas vezes, a administração não percebe o quanto é vital conhecer esses dados. O conceito de cidade inteligente varia conforme o porte do município, seja Londrina ou uma cidade menor. Por isso, discutir temáticas que impactam o desenvolvimento regional e a qualidade de vida é o caminho para construir uma cidade de pessoas felizes.”

Cristianne Cordeiro, presidente da Londrina Inteligente e assessora da Fundação Araucária