Máquinas agrícolas têm reajustes de até 9,8%
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terça-feira, 02 de fevereiro de 1999
Guto Rocha 
Os preços de tratores, colheitadeiras e implementos agrícolas sofreram aumentos entre 6% e 9,8% por conta da desvalorização do real. O motivo, segundo revendas ouvidas ontem pela Folha , é que muitos componentes utilizados na fabricação destes equipamentos são importados.
Segundo o gerente comercial da Cascavel Máquinas Agrícolas S/A, revenda Massey Ferguson, em Cambé, Celso Massessoni, os preços dos equipamentos vendidos na loja tiveram alta de 9,8%, com o trator de 105 cavalos passando de R$ 40 mil para US$ 44 mil.
Massessoni afirmou que no mês de janeiro as vendas de tratores normalmente são pequenas. Segundo ele, nesta época do ano a procura maior é por colheitaderias. O gerente disse que em janeiro foram comercializadas oito unidades de colheitadeira, mas antes da elevação dos preços. Como já imaginávamos que os preços teriam crescimento, com a alta do dólar, fomos atrás dos produtores que já tinham demonstrado interesse de compra, afirmou. O preço da máquina passou de R$ 78 mil para R$ 85 mil.
Na Tork Agro Comercial Ltda, revenda da marca Valmet em Londrina, os vendedores receberam ontem uma tabela com preços reajustados em 6%. Os preços serão reavaliados para saber se precisam de novos aumentos ou de redução, disse o gerente de vendas Hanz Wagner. Ele observou que apesar da alta, os preços dos tratores são os menores desde a entrada do Plano Real. Ele disse que o modelo de 100 cavalos, custava US$ 46 mil, e ontem o mesmo produto valia US$ 22 mil.
Wagner observou que este ano os produtores estão consultando as revendas mais cedo. O produtor de soja sabe que seu produto está valendo mais em dólar, e procura calcular o trator em sacas do produto, comentou. Em janeiro, a Tork comercializou 10 tratores.
Segundo o gerente comercial da Horizon Comercial, revenda SLC John Deere, Isaias de Santana, até ontem a indústria não havia passado instruções para alteração de preços.
A indústria ainda repassou a alta do dólar aos produtos. Acredito que isso só acontecerá quando os estoques acabarem, comentou. Santana disse que em janeiro comercializou quatro tratores, contra uma unidade vendida no mesmo mês do ano passado. A procura por colheitadeira foi grande para esta safra: 12 unidades, contra nove na safra passada. A produção de colheitadeira está comprometida até abril, afirmou.


