'Maquiado' já não pressiona índices
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quarta-feira, 19 de setembro de 2001
Agência Estado <br> Do Rio 
A pressão inflacionária provocada pelos produtos maquiados arrefeceu nas últimas semanas. A avaliação é do ex-secretário de Acompanhamento Econômico, José Milton Dallari, o ''xerife dos preços'' durante a transição, em 1994, da conversão da URV para a criação do Real. Além disso, na sua opinião, as grandes indústrias não estão conseguindo repassar integralmente a variação cambial deste ano para o preços dos produtos, dada a falta de disposição dos consumidores em pagar mais caro pelos produtos.
''Quando um fabricante reduz de 40 para 30 metros o rolo de papel higiênico e mantém o preço, na verdade o consumidor está pagando cerca de 25% a mais pelo produto'', disse Dallari, que hoje presta consultoria à Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Segundo o consultor, o problema foi reduzido a partir das denúncias feitas ao governo.
Há dois meses, as redes de varejo identificaram variadas mudanças de volume nas embalagens de produtos e decidiram buscar ajuda junto ao governo. ''A pressão de preços vinha de roldão, com a maquiagem de produtos'', comentou Dallari. Desde agosto, institutos que mede taxas de inflação passaram a redobrar as atenções para checar as especificações de embalagens de produtos durante a coleta de preços.
Quanto ao repasse da variação cambial aos preços, o consultor analisa que a pouca disposição de os consumidores pagarem mais caro pelos produtos e a queda de braço entre as indústrias e o varejo dificultam o repasse integral da subida do dólar aos preços finais. ''Não chegam a repassar 50% da variação, porque o consumidor não está disposto a pagar'', afirmou Dallari, citando, ainda, que os consumidores vem buscando cada vez mais produtos de menor preço, numa equação de custo benefíco entre preço e qualidade.


