Agência Estado
De São Paulo
O ramo de vendas no varejo sofreu dois grandes golpes ontem. O Mappin, maior rede de magazines do País, teve a falência decretada pelo juiz da 18.ª Vara Cível da Capital, Luiz Beethoven Giffoni. O outro golpe foi o fechamento das 63 unidades das Lojas Brasileiras (Lobrás) espalhadas por todo o Brasil.
O Mappin fechou por causa de um rombo de mais de R$ 1,12 bilhão em dívidas com bancos, fornecedores, impostos e indenizações trabalhistas. A Lobrás, com 69 anos, pertencente à família Goldfarb nos últimos 19 anos, resolveu estancar os mais de R$ 100 milhões de prejuízos acumulados em três anos.
As duas redes agora vão unir-se ao grupo de quase 130 empresas que foram à concordata ou faliram desde 1995, segundo cálculos da Eletros, que reúne os principais fabricantes de produtos eletroloeletrônicos do País.
‘‘Lamento a grave crise do Mappin e a falência, mas a medida nessa direção já era esperada’’, disse ontem o presidente da Eletros, Paulo Saab. ‘‘É mais uma rede que deixa de existir por causa da grave crise econômica que se abate sobre o País - com altas taxas de juros -, que deixa um enorme prejuízo para os fornecedores.’’
Com as 18 empresas que entraram em concordata ou foram fechadas desde janeiro, a Eletros contabiliza, somente para os fabricantes de produtos eletroeletrônicos, R$ 240 milhões em prejuízos.
O governador de São Paulo, Mário Covas, até tentou lutar para segurar o Mappin em pé, reunindo no Palácio do Bandeirantes o administrador José Paulo Amaral - que ganhou uma ação Golden Share, que lhe deu poderes para negociar a melhor forma de não fechar a rede de Ricardo Mansur - e fornecedores para obter mercadorias consignadas, mas a tentativa foi em vão com a declaração da falência.
O deputado federal Luiz Antônio Medeiros (PFL-SP), que esteve à frente das negociações para encontrar um comprador para o Mappin, achou precipatada a decisão do juiz Luiz Beethoven Giffoni. ‘‘Havia negociações em andamento’’, contou o deputado.
Medeiros esteve em várias oportunidades no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio, procurando uma fórmula para deixar o Mappin de pé. Conseguiu, no mês passado, uma promessa do então presidente do BNDES, Pio Borges, de financiamento para o comprador da rede.

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