Mapa quer dar fôlego ao café
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segunda-feira, 22 de agosto de 2016
Victor Lopes<br>Reportagem Local 

Não é de hoje que a cafeicultura nacional e claro, a paranaense, está em estado de alerta. Situação ruim que se arrasta safra após safra em algumas regiões do País, mas que pode ganhar um novo fôlego com uma medida acertada do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). No final da semana passada, em visita a região de Guaxupé (MG) uma das principais áreas produtoras de café do País o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, anunciou a recriação do Departamento do Café na estrutura do Mapa, para cuidar de assuntos específicos relacionados à cultura, incluindo projetos, políticas e diretrizes setoriais.
De acordo com dados do Mapa, a recriação de uma área dedicada apenas ao café será similar a antigo Departamento do Café (DCAF), que foi extinto em julho do ano passado. O processo já foi encaminhado para aval do Ministério do Planejamento, Orçamento Gestão.
O gerente do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) e coordenador estadual da Câmara Setorial do Café do Paraná, Paulo Franzini, aprovou a decisão governamental. Segundo ele, com a descontinuidade do DCAF, a cultura acabou englobada a outros produtos dentro da pasta, como a cana, o que dificultou a negociação de necessidades específicas para o setor do café.
"Somos o maior produtor de café do mundo e o segundo maior consumidor. A extinção do antigo departamento foi feita sem nenhuma base técnica, mas foi de forma política. Agora, acredito que esta é uma visão que foca na restruturação do setor", comenta Franzini.
O especialista na cultura aproveita para elencar algumas estratégias que ele considera importantes para o Mapa realizar junto aos cafeicultores. Ele cita, primeiramente, a criação de uma linha de crédito para a renovação dos cafezais. "Hoje o café só é rentável com altas produtividades. Daí a importância de renovar a área."
Outro fator bastante importante para o segmento é aumentar a mecanização nas lavouras. Franzini relata que a cafeicultura paranaense é prioritariamente ligada a pequenos produtores, mas que hoje já existem tecnologias para atendê-los. "Já temos diversas máquinas para a pequena cafeicultura. O que precisamos é uma linha de crédito para preencher essa necessidade."
Ele bate na tecla da necessidade de um seguro para a produção de café que vá além do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). "O Proagro garante apenas danos contra a produção que está em curso. A questão é que a geada é o principal perigo para a cultura, mas ela acaba afetando a produção do ano seguinte. É preciso melhorar os mecanismos de seguro e somado a isso, claro, a competência do cafeicultor na atividade."
Vale dizer que o ministro reforçou que o governo trabalha para ofertar um novo seguro agrícola. "Criamos um grupo de trabalho, coordenado pelo ex-ministro Alysson Paulinelli, para buscar uma nova alternativa de seguro rural."
PRODUÇÃO
Praticamente fechando a colheita, o Paraná deve produzir entre 1 milhão e 1,1 milhão de sacas nesta safra, numa área produtiva total de 47 mil hectares. No ano passado, na safra cheia, o Estado fechou em 1,3 milhão de toneladas. Franzini relata que o grande problema para a cultura em 2016 foi o excesso de chuvas na colheita. "Isso prejudicou bastante a qualidade do produto paranaense. Com isso, o cafeicultor pode ter um prejuízo que varia de R$ 80 a R$ 120 por saca."
LEILÃO
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), vinculada ao Mapa, realiza na próxima quinta-feira mais três leilões de venda de café arábica por meio do Sistema Eletrônico de Comercialização (SEC). No total, serão ofertadas 70 mil sacas de 60 quilos do grão, que estão em armazéns da estatal em Minas Gerais e São Paulo.
Os leilões fazem parte de uma iniciativa do governo brasileiro de abastecer o mercado num momento de redução da oferta do grão por causa de problemas climáticos, principalmente no Centro-Sul do País. Os preços para arremate devem variar conforme as condições dos cafés armazenados e serão divulgados em até dois dias úteis antes dos leilões, no site da Conab.
Podem participar do leilão on-line os interessados que estejam devidamente cadastrados nas bolsas de mercadorias e em situação regular no Sistema de Registro e Controle de Inadimplentes da Conab (Sircoi).
Desde janeiro, o governo já comercializou 320 mil de um total 1,25 milhão de sacas dos estoques públicos. O valor arrecadado nas vendas até agora foi de R$ 128,5 milhões. O Paraná já vendeu todo seu estoque. São Paulo e Minas Gerais ainda possuem grãos para vender.


