Mapa nomeia comissão para avaliar rebanho
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
A Superintendência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em Curitiba, nomeou ontem a Comissão de Avaliação, Taxação e Sacrifício que fará a avaliação no rebanho das seis fazendas confirmadas como focos de febre aftosa. O grupo é formado por seis pessoas - três titulares e três suplentes - e seus nomes não foram divulgados. A expectativa da superintendência, segundo a assessoria de imprensa, é que os trabalhos sejam iniciados até o final desta semana.
O Mapa confirmou na segunda-feira seis novos focos de febre aftosa. A doença estaria em quatro municípios: Bela Vista do Paraíso (1), Grandes Rios (1), Loanda (2) e Maringá (2). A Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), é considerada foco de aftosa desde o dia 6 de dezembro. Ao todo, mais de 6 mil animais deverão ser sacrificados. Para que a comissão inicie os trabalhos, o Mapa tem que publicar a relação em Diário Oficial através de uma resolução.
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab), os membros da comissão seriam ligados ao Mapa, à Seab e ao Fundo de Desenvolvimento Agropecuário (Fundepec/PR). Caso seja autorizado pelo secretário estadual de Agricultura, o Fundepec é quem paga metade do valor da indenização aos pecuaristas. A outra metade é de responsabilidade da União.
O economista Gustavo Fanaya, do Sindicato da Indústria de Carne e Derivados do Paraná (Sindicarnes), explicou que a avaliação do rebanho tem que ser autorizada pelos pecuaristas. Os trabalhos seguirão os mesmos critérios adotados na avaliação dos animais da Fazenda Cachoeira. Os bovinos são separados por lotes - bois, vacas, bezerros e novilhas - e pesados por amostragem. O cálculo do valor é baseado no preço da arroba do dia.
Aliás, ele explicou que, no caso da Cachoeira, a indenização não seria mais R$ 1,285 milhão. Segundo ele, para chegar a esse valor a comissão utilizou o valor da arroba do dia que, na época, estava cotada a R$ 48. ''Agora, a arroba está em R$ 45 e a indenização cairia para R$ 1,205 milhão'', explicou. Fanaya ainda acrescentou que a indenização tem que ser calculada sobre o valor da arroba do dia do sacrifício, conforme as normas do Fundepec.
''Se o Estado autorizar o pagamento dessa indenização o próprio Tribunal de Contas pode contestar'', disse o economista. Na sua avaliação, a confirmação de seis novos focos em nada muda a situação do Estado. ''Já estamos no fundo do poço. Ter um foco ou seis não faz diferença nenhuma porque os embargos já foram levantados e toda a pecuária estadual está 'pagando o pato' desde que a suspeita foi levantada, em outubro'', comentou.
Sacrifício - A assessoria de imprensa da Seab informou que os preparativos para o sacrifício sanitário dos 1.795 bovinos da Fazenda Cachoeira não serão mais iniciados hoje, como informou a Superintendência do Mapa. Uma decisão da Justiça Federal de Londrina autoriza o sacrifício somente com pagamento antecipado da indenização em juízo. A União recorreu da decisão e o Tribunal Regional Federal da 4 Região ainda não deu um parecer.
O proprietário da fazenda, André Carioba Filho, se reúne hoje com técnicos da Seab para tratar do assunto.


