Imagem ilustrativa da imagem Mapa inclui Paraná em zona livre de peste suína
| Foto: Gina Mardones
Medida impede que algum mercado imponha restrições de importação à carne suína paranaense



O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) incluiu 15 estados, entre os quais o Paraná, no bloco que atende as normas da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como livre da peste suína clássica (PSC). A medida tem caráter preventivo para evitar a imposição de restrições comerciais ao País para a exportação de carne de porco, por reorganizar o trânsito de animais vivos e derivados em regiões sem risco da doença desde 1998. A decisão consta da Instrução Normativa 25, publicada quarta-feira no "Diário Oficial da União".
Na prática, a diferença será o aumento de exigências para o trânsito de suínos e subprodutos de outras regiões do País. O diretor presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Inácio Afonso Kroetz, afirma que os estados dentro dessa zona já eram livres da doença conforme critérios nacionais e passam a respeitar também os internacionais. "A medida impede que algum mercado imponha restrições de importação à carne paranaense."
Kroetz lembra que a última vez que houve a notificação de um caso da doença no Paraná foi em 1994 e que a região Sul do País é reconhecida como área livre desde então. Produtor na região de Curitiba e ex-dirigente da Associação Paranaense de Suinocultores, Carlos Gesdorf considera a medida acertada. "O mercado de suínos brasileiro está conturbado com a crise econômica e os custos de rações pela cotação do milho, então é importante manter o mercado internacional aberto", diz.
Santa Catarina e Rio Grande do Sul já eram consideradas livres da PSC desde o ano passado e se somam aos 15 estados. Além do Paraná, foram incluídos Acre, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo, Sergipe, Tocantins e parte do Amazonas, que são os municípios de Guarajá, Boca do Acre, sul do município de Canutama e sudoeste do município de Lábrea.
A PSC é causada por vírus e é de notificação obrigatória ao serviço veterinário oficial e à OIE. Não há casos no País desde 2009, quando foi registrada pela última vez no Amapá, Pará e Rio Grande do Norte, que não foram incluídos no bloco livre.
O veto serve para carnes refrigerada ou congelada, com ou sem osso; produtos cárneos industrializados ou gordurosos de origem suína, frescos, crus, curados, maturados, salgados, dessecado, defumados ou não; miúdos in natura ou salgados; gorduras; pele de suíno in natura ou salgada; e produtos de origem suína comestíveis ou não comestíveis destinados à alimentação animal ou uso em fertilizantes. Alimentos processados na origem de acordo com tratamentos reconhecidos pela OIE, com certificação sanitária, ainda podem ser feitas.

Febre aftosa
O presidente da Adapar afirma que a criação de um bloco sanitário de estados livres da PSC é um dos passos para a adoção do status de áreas livres da febre aftosa sem vacinação contra a doença. O controle de trânsito, as barreiras físicas e a capacitação de mão de obra deve ser a mesma, para uma enfermidade que atinge tanto bois quanto porcos. Sem a vacinação, é possível abrir novos mercados que pagam mais pela proteína, como Japão e China. "É um passo a mais na direção do fim da vacinação, porque precisamos de investimentos", conta.
Kroetz aponta que as Américas estão há quatro anos e meio sem notificação da doença. "É o indicador máximo com o qual trabalhamos hoje e já podemos dizer que se tornou uma doença quase exótica", diz.

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