Mapa flexibiliza vacinação contra aftosa
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quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Carolina Gonçalves <br> <br> Agência Brasil 
Brasília - Estados e municípios da Região Nordeste afetados pela seca deste ano poderão decidir se prorrogam ou suspendem a vacinação contra a febre aftosa - a depender das condições do gado. A segunda etapa de intervenção em bovinos e búfalos começa amanhã, com expectativa de imunizar 150 milhões de animais em todo o País. Com a medida anunciada ontem pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), esse número pode ser reduzido em até 16 milhões de cabeças - gado estimado nos nove estados da região.
De acordo com o coordenador de Febre Aftosa do Mapa, Plínio Lopes, os departamentos veterinários dessas cidades terão que iniciar a vacinação normalmente e, ao longo do processo, se considerarem necessário, podem prorrogar a aplicação das vacinas por 30 dias ou ainda suspender o procedimento. No caso de suspensão, os municípios terão que apresentar uma nova análise da situação até o dia 15 de janeiro para que o ministério reavalie as condições locais.
''Onde ocorrer prorrogação ou suspensão da vacinação, os bovinos que precisarem ser transportados para outros estados terão que ser vacinados previamente', explicou Lopes. Segundo ele, a vacina pode ser aplicada inclusive no local de destino do animal. Lopes garante que a medida não vai prejudicar as metas do governo de alcançar áreas livres da aftosa. A expectativa mantida pelos órgãos sanitários é que a Região Nordeste atinja esse status no ano que vem. A última ocorrência de aftosa na região foi registrada há dez anos.
''Os índices vacinais da região estão dentro do satisfatório e desejado (acima de 85% do gado vacinado) e estamos fazendo inquérito epidemiológico a cada 15 dias', complementou. Técnicos do Mapa que estão na região colhendo sangue dos animais em diversas propriedades asseguram que não há indicativos de vírus em circulação. O coordenador de aftosa do Mapa explicou ainda que a intenção é amenizar os prejuízos contabilizados pelos produtores nordestinos. Ele destacou que, durante o transporte ou a captura, o gado, enfraquecido pela falta de alimentos e água, ''pode cair e não levantar mais''.
Segundo o diretor de Saúde Animal do ministério, Guilherme Marques, o manejo é o único risco nesses casos. Ele garante que os produtores que decidirem vacinar os animais não precisam se preocupar com os efeitos da imunização. ''Temos testes feitos pelo ministério e por empresas. A vacina não provoca mortalidade ou aborto. O que provoca é o manejo (inadequado) do rebanho com fome e sede. O stress provocado nos animais.''
De acordo com Marques, a flexibilização do calendário de vacinação contra aftosa em casos extremos de chuva ou seca excessiva está prevista na lei. Segundo ele, além de a região não fazer fronteira com países vizinhos, o que minimiza o risco da doença, ''avaliamos o serviço veterinário e eles têm tanto condições quanto arcabouço para sustentar uma área livre da doença''.


