Mostardas - Técnicos e veterinários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estão desde quarta-feira, em Mostardas, município distante 200 km de Porto Alegre. Até amanhã eles realizam palestras para estudantes e moradores sobre os cuidados para evitar a gripe aviária no Brasil.
O primeiro foco da doença foi detectado em 1997, em Hong Kong, na China, quando seis pessoas morreram. O vírus da gripe aviária (H5N1) é transmitido por aves silvestres que migram para vários países todos os anos. Nestas aves ele não provoca efeitos, mas pode provocar a morte de aves domésticas da região como patos, galinhas, codornas e marrecos. O H5N1 também pode ser transmitido para seres humanos.
O trabalho dos técnicos é orientar a população sobre os sintomas nos animais, que são inchaço, queda de penas, perda da coordenação motora e feridas. Outro sinal de alerta é a repentina mortandade desses animais em grande quantidade.
Estudantes e moradores são orientados a evitar o contato direto com aves silvestres como cisnes, gaivotas e maçaricos. Matar esses animais também representa risco já que o vírus pode ser transmitido pelo sangue. Outras formas de transmissão são pelas fezes e o contato com a saliva do animal.
Além do trabalho de educação sanitária os técnicos do governo estão percorrendo 211 propriedades rurais colhendo amostras de sangue, fezes e saliva de aves. O material será enviado ao laboratório oficial em Campinas, São Paulo.
O município de Mostardas é um ponto estratégico, segundo o Ministério da Agricultura, pois está próximo do Parque Nacional da Lagoa do Peixe. O parque é uma das principais rotas para mais de 60 aves migratórias que vêm do Canadá, Chile, Peru, Argentina e Estados Unidos.
Como o vírus também pode ser transmitido da ave para o homem, a preocupação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que uma possível mutação do H5N1 possa provocar a transmissão entre pessoas.
A ação do governo faz parte de uma estratégia global para evitar a propagação do vírus que poderia provocar milhares de mortes, já que não há tratamento para a doença. Além disso, os prejuízos econômicos poderiam chegar a US$ 800 bilhões por ano em todo o mundo, segundo o Banco Mundial. No Brasil os prejuízos seriam imensos já que o país é um dos principais exportadores de aves. Só o estado do Rio Grande do Sul responde por 70% do volume exportado.

Serviço
- Para informações e dúvidas sobre a doença a Central de Relacionamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento atende pelo telefone 0800-611995.

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