Mapa do vestuário ajudará na definição de estratégias
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terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - Um estudo realizado pelo Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI), com a participação de 350 empresas paranaenses, apontou os principais entraves para a indústria de vestuário e têxtil do Estado e os pontos positivos do setor com o objetivo de criar um planejamento estratégico para o segmento para os próximos dez anos.
Queremos dar uma nova cara para o setor de vestuário e têxtil do Estado. O Paraná desenvolve moda e não apenas faz roupa, disse a presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário do Paraná, Luciana Bechara. Segundo ela, o planejamento estratégico dará subsídios para as indústrias poderem exportar e levar a moda paranaense para o mundo.
O diretor do IEMI, Marcelo Villin Prado, disse que um dos principais problemas do setor no Estado hoje é a estrutura de produção de matéria-prima. Segundo ele, cerca de 80% dos tecidos para a indústria do vestuário vêm de outros Estados. Além disso, ele disse que há a necessidade de serem criados novos canais de comercialização.
Luciana alertou que a importação tem sido crescente. "O Brasil e também o Paraná têm sido inexpressivos nas exportações que não chegam a 1% da produção mundial", disse. Segundo ela, o Estado e também o País não têm custo de produção competitivo para exportar, a não ser quando o dólar está beirando os R$ 4. "Para conseguir exportar, precisamos trabalhar inovação e produtos diferenciados", destacou. Além disso, a carga tributária também pesa muito na conta. Hoje, 45% do valor do produto final brasileiro é imposto. Por outro lado, os produtos importados têm 20% de imposto.
Entre os pontos positivos do setor, segundo o estudo do IEMI, estão a posição estratégica do Paraná no Sul e Sudeste do País, a boa estrutura de shoppings de atacado e a alta produtividade cerca de 40% maior que a média do Brasil. Além disso, Prado apontou a variedade de produtos existentes no setor no Estado e a facilidade de escoar produtos pelo modal rodoviário.
O estudo mostrou ainda que o Paraná tem 9% das empresas do setor do País, 6,3% do pessoal ocupado e participa com 8,8% da produção. O Estado é o quinto do ranking nacional e só perde em produção para São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Entre os nove polos produtores do Estado, os que mais participam em volume de produção são Apucarana (25,4%), Cianorte (12,5%) e Maringá (11,2%).
Em 2012, o Estado tinha 2.483 empresas no setor, sendo a maioria enquadrada como pequena oficina de costura, alfaiataria, pequena prestadora de serviços, entre outras. Isso mostra que 60% das empresas de vestuário do Estado se caracterizam como micro. Em 2012, o setor tinha 76 mil pessoas ocupadas, sendo 55% deste total nas empresas de pequeno porte. O salário médio no Estado é de 809 contra R$ 878 no Brasil. A predominância no emprego é de homens com 75,7% do total e 63% dos trabalhadores possuem apenas o ensino médio. A linha casual é responsável por 22,5% da produção paranaense, seguida da jeanswear com 19%.
O setor movimentou cerca de R$ 7,9 bilhões em 2012 com alta de 5,4% em relação ao ano anterior e os preços médios das peças produzidas tiveram alta de 3,7% em 2012 em relação a 2011. Os investimentos em 2012 foram de R$ 146,9 milhões e 9,3% superiores comparados ao ano anterior. Para fechar 2013, a estimativa é de crescimento de 13,8% nos investimentos.



