Mapa da indústria traça metas para setor
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terça-feira, 18 de junho de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - No ano de 2022, cerca de 2,2% de toda a produção mundial de industrializados será de produtos fabricados no Brasil. Hoje, a participação dos manufaturados brasileiros no mercado mundial é de 1,7%. Essa é uma das metas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para os próximos dez anos definidas no Mapa Estratégico da Indústria para o período de 2013-2022.
Outro objetivo do setor é que, até 2022, a produtividade média da indústria, que vem crescendo a uma taxa anual de 2,3% nos últimos 20 anos, passe a dar saltos de 4,5% ao ano. Para que isso se concretize, junto com outras oito metas, é preciso criar um ambiente mais adequado à competitividade da indústria e do País. O documento foi construído em conjunto por cerca de 500 representantes empresariais.
No cenário delineado pelo setor industrial para 2022, a taxa de investimento sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do País vai passar de 18,1% em 2012 para 24% em 2022. Os investimentos em infraestrutura vão saltar de 2,05% do PIB para 5% no mesmo período. A cumulatividade da cobrança de impostos seria extinta, neste cenário.
Nas relações de trabalho, a meta é que o País passe do 72º lugar para 40º no ranking de relações empregado-empregador do Fórum Econômico Mundial, que compara 144 países. Além destes objetivos, o País contará com melhor educação, um Estado mais eficiente e menos burocrático.
O gerente de pesquisas da CNI, Renato da Fonseca, disse que, entre os dez pontos defendidos no mapa, o mais importante é a educação no ensino fundamental, que é considerada essencial para a inovação e o aumento da produtividade na indústria. Se o trabalhador não tiver uma boa educação básica, não se adapta às mudanças tecnológicas, destacou. Segundo ele, hoje a indústria sofre muito com falta de mão de obra qualificada.
Em relação à carga tributária, que hoje é um grande entrave para o setor, ele acredita que os tributos só terão diminuição se reduzir o deficit fiscal do governo. Também defendeu que a indústria só será mais competitiva se atuar no mercado internacional. Fonseca disse ainda que também não adianta uma empresa ter uma fábrica top no mercado se não consegue levar os produtos até os portos.
Para ele, o País ainda é muito caro e as indústrias pagam tributos sobre os investimentos, quando deveria ser sobre o consumo. Ainda é preciso, de acordo com Fonseca, ter regras claras e baixa burocracia para investir.
O economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, disse que o mais pesado para a indústria é a carga tributária e os encargos sobre a folha de pagamento. Uma sondagem com empresários do setor feita pela Fiep para o período 2012/13 mostrou que os motivos que mais afetam a competitividade internacional do setor são a carga tributária, os encargos sociais, burocracia, custos portuários e de transporte, câmbio, custo financeiro elevado e mão de obra com qualificação insuficiente. Segundo ele, a Fiep participou do Mapa Estratégico.
Para o professor de Economia da UFPR, Marcelo Curado, o fator primordial para a indústria é a infraestrutura e os custos associados à logística. Ele destacou que hoje isso ainda depende muito de investimentos públicos, mas precisa de mais participação da iniciativa privada. Esse processo começou com a abertura pelo governo federal de novas concessões para investimentos em portos e aeroportos. Segundo ele, o câmbio também é outro entrave para as indústrias.



