O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirmou ontem seis novos focos de febre aftosa no Paraná. Essas propriedades estavam sob suspeita de aftosa desde outubro e, embora não tenha aparecido sintomas clínicos da doença em nenhum bovino, técnicos do Mapa declararam o foco baseados em exames de sorologia - que podem gerar resultados falso positivo - e na vinculação epidemiológica, uma vez que 411 animais foram trazidos do Mato Grosso do Sul (Estado onde surgiram os primeiros focos).
No dia 6 de dezembro, o Mapa confirmou um foco da doença na Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio). Agora, com esses seis novos focos, cerca de 4,5 mil bovinos terão que ser sacrificados no Estado. Esses animais estão espalhados nas seguintes fazendas: Flor do Café (Bela Vista do Paraíso), Santa Izabel (Grandes Rios), Cesumar e Pedra Preta (Maringá) e Alto Alegre e São Paulo (Loanda). Cinco pecuaristas já impetraram ação na Justiça Federal de Londrina em que questionam a suspeita de foco. A confirmação só irá aumentar esse imbróglio judicial (ver box).
Já no domingo o Mapa havia comunicado à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) a ocorrência de seis novos focos no Estado. No entanto, essa divulgação só veio a público ontem. ''Estes focos envolvem fazendas que já estavam interditadas pelo serviço veterinário estadual, pois desde novembro do ano passado não foram identificadas novas suspeitas no Paraná'', esclareceu o secretario de Defesa Agropecuária, Gabriel Alves Maciel. Das quatro fazendas declaradas suspeitas de aftosa em outubro, apenas duas foram confirmadas: Santa Izabel e Cesumar. Essas duas propriedades compraram bovinos trazidos do MS no Leilão 10 Marcas, realizado em Londrina.
O foco na Fazenda Flor do Café foi confirmado porque os 411 bovinos trazidos do MS ficaram nessa propriedade até a realização do leilão. O proprietário e organizador do Leilão 10 Marcas, José Moacir Turquino, tem outra fazenda no MS, a Bonanza. Embora todo o rebanho tenha sido sacrificado em dezembro, a aftosa não foi efetivamente provada na Bonanza. Inclusive, no acordo feito na Justiça Federal do MS consta que o sacrifício ocorreu porque a propriedade está na área perifocal de outros focos. Já a Pedra Preta é vizinha da Fazenda Cesumar, enquanto a Alto Alegre e São Paulo, em Loanda, são vizinhas de uma propriedade inicialmente considerada suspeita, mas que o foco não foi confirmado.
Vínculo - No Paraná, as suspeitas de febre aftosa foram notificadas no dia 21 de outubro, devido ao vínculo epidemiológico com foco da doença no MS. Segundo o Departamento de Saúde Animal (DSA) do Mapa, a partir de 27 de setembro, os animais originários do Mato Grosso do Sul permaneceram por oito dias numa propriedade rural localizada no município paranaense de Bela Vista do Paraíso, de onde foram enviados para leilão em Londrina e comercializados, no início de outubro. Todas as propriedades que receberam bovinos do referido leilão foram investigadas pelo serviço veterinário do Paraná.
Das onze propriedades suspeitas, a Fazenda Cachoeira, de São Sebastião da Amoreira, foi a primeira a ter o foco confirmado. Nas outras dez, foi realizada investigação epidemiológica complementar, conduzida durante o mês de janeiro, que incluiu análise sorológica de 2.205 animais para identificar anticorpos contra proteínas não-estruturais (PNE) do vírus da febre aftosa. Esta identificação tem como base parâmetros epidemiológico e estatísticos rigorosos, além de técnicas de diagnósticos para detecção de anticorpos contra PNE desenvolvidas pelo Panaftosa e pela OIE.
No início da noite, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento colocou uma nota oficial no site do governo do Estado sobre os novos focos anunciados pelo Mapa. A nota diz que o Paraná fará o que for necessário para agilizar o sacrifício dos animais.

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