Mapa confirma aftosa em São Sebastião da Amoreira
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quarta-feira, 07 de dezembro de 2005
Fábio Galão e Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirmou ontem um foco de febre aftosa em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio). Trata-se da primeira confirmação oficial da doença no Paraná desde o anúncio da suspeita, em outubro.
Segundo a assessoria do Mapa, a constatação do foco partiu do resultado de um exame sorológico entregue ao ministério no final da tarde de segunda-feira. A propriedade onde foi verificada a ocorrência de aftosa seria a Fazenda Cachoeira de propriedade de André Carioba Filho. A assessoria informou que a fazenda tem 2.212 cabeças de gado, das quais aproximadamente 200 teriam vindo de uma propriedade em Eldorado (MS) onde houve confirmação de aftosa.
Ainda de acordo com a assessoria, a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) deverá discutir com os produtores do Paraná para decidir sobre sacrifício ou abate de animais. A informação sobre o foco foi divulgada no início da noite. Nesse horário, a Folha não conseguiu localizar ninguém da Seab para comentar o assunto.
Pela manhã, o governo do Estado havia se manifestado sobre o fato do Mapa ter sugerido a edição de uma nota técnica para que o Paraná tomasse medidas sanitárias, como abate ou sacrifício de animais, como se o foco de aftosa tivesse sido confirmado.
''Não vamos aceitar o texto dessa minuta. O foco não existe. A aftosa não existe. A doença não existe. Sacrificar esses animais não tem sentido. Queremos mais barreiras sanitárias. Concordamos em contratar mais funcionários e técnicos para fiscalizações. Mas não vamos compactuar com a idéia de sermos tratados como o Mato Grosso do Sul, que teve seu rebanho contaminado'', declarou o vice-governador Orlando Pessuti, secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento.
''Não tem outra saída. Temos que interpelar judicialmente o ministro (da Agricultura, Roberto Rodrigues)'', afirmou o governador Roberto Requião (PMDB), em discurso na reunião semanal do secretariado. Ao final do evento, Requião se recusou a falar com a imprensa.
Pessuti argumentou que os técnicos do Mapa queriam colocar um ponto final nas discordâncias entre os exames laboratoriais divulgados até então (que deram negativo), a origem dos animais (muitos vieram de zonas infectadas no Mato Grosso do Sul) e os sintomas apresentados quando foi notificada a suspeita da doença. ''Existia um acordo para que a minuta técnica fosse editada apenas após o resultado das análises das 233 amostras enviadas ao laboratório de Belém. Entretanto, eles (Mapa) estão pressionados. Precisam de uma solução para o problema até o dia 8, quando ocorre a reunião da organização européia'', disse Pessuti.
O secretário disse ainda que existe como comprovar que nunca houve aftosa no Paraná. Basta que os rebanhos sejam analisados. Nenhum bovino morreu com a doença. Os suínos, ovinos e caprinos das fazendas interditadas e que não foram vacinados não apresentaram qualquer sintoma da doença.
Além das quatro propriedades que tiveram suspeita no Paraná de febre aftosa, foram elencadas na minuta outras sete propriedades que tiveram contato com bovinos vindos de regiões onde houve infecção no Mato Grosso do Sul. Num primeiro momento, apenas 19 bovinos paranaenses apresentavam sintomas semelhantes aos da febre aftosa (classificados pelo Paraná como sintomas de doenças vesiculares).


