A ministra da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (Mapa), Kátia Abreu, anunciou na semana passada em conjunto com o Banco do Brasil a disponibilização de R$ 10 bilhões para o pré-custeio do ciclo 2016/17. A medida veio em meio a conversas que ela vem tendo com o ministro da fazenda, Nelson Barbosa, para discutir novas formas de custear o crédito agrícola.
Kátia afirmou na semana passada em comunicado à imprensa que o agronegócio brasileiro não quer benesses, apenas o necessário para o setor. Entre as alternativas estudadas entre os dois ministérios, está a possibilidade de emissão do Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), título de crédito nominativo, indexado ao dólar e eventuais mudanças na subvenção das Letras de Crédito do Agronegócio (LCA).
No ano passado o governo disponibilizou R$ 187 bilhões em crédito, valor 20% maior em relação ao ano anterior. A ministra anunciou também que o seguro agrícola para o clima pode alcançar o montante de R$ 1 bilhão em 2016, devendo cobrir 20 milhões de hectares. O orçamento da União deste ano já garante R$ 741 milhões, mas o ministério já estuda novas fontes de receita para aumentar esse valor.
Do total de 60 milhões de hectares de área plantada no Brasil, o ministério avalia que 30 milhões de hectares possuem algum risco climático. Com R$ 1 bilhão, segundo a ministra, é possível cobrir 20 milhões de hectares.

Fuga dos juros
Fernando Aggio, engenheiro agrônomo da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), afirma que o custeio agrícola é muito importante principalmente para o pequeno agricultor. "O custeio agrícola livra os produtores dos juros altos", salienta. A antecipação do custeio ajuda o produtor a fazer o planejamento da compra dos insumos, explica.
Mas o cenário no Estado vai depender do montante que o governo federal irá liberar para o Paraná, conforme avalia o chefe do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Francisco Simioni. Segundo ele, os insumos para a próxima safra já estão sendo comprados ou estão com pedidos realizados. Por isso, Simioni considera que o anúncio do Mapa foi positivo porque dá a possibilidade do agricultor se programar. "Aquele que não teve a oportunidade de fazer um planejamento de safra vai sentir no bolso", observa o especialista.

Insumos mais caros
O produtor já está sentindo que produzir também está ficando mais caro, principalmente pela elevação do dólar frente ao real, pois muitos insumos são importados. De acordo com dados do Deral, na soja, por exemplo, o custo variável de produção, que leva em conta os gastos dos produtores com maquinários, mão de obra, insumos, entre outros, fechou em novembro do ano passado em R$ 33,39 a saca, contra R$ 28,07/sc registrado em novembro de 2014.
Os produtores de milho segunda safra também desembolsaram mais. Segundo informações do Deral, em novembro de 2015 o custo variável de produção foi de R$ 20,41/sc, contra R$ 17,61/sc de milho contabilizado no mesmo período do ano anterior.

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