SÃO PAULO - Pesquisa da Associação Brasileira de Terminais Privados (ABTP) revela que a mão-de-obra avulsa nos portos brasileiros representa cerca de 70% do que é gasto nas operações de carga/descarga de mercadorias.
Dos custos pesquisados entre armadores em cinco portos brasileiros, o do Rio Grande (RS) é o que apresenta maior incidência de mão-de-obra avulsa. Para cada US$ 486,35 gastos no embarque ou desembarque de um conteiner com capacidade de 15 toneladas, US$ 353,22 vão para a mão-de-obra avulsa (estiva, conferentes), US$ 92,16 para a companhia federal (administradora) e US$ 40,96 cobrem despesas com rebocadores, atracação e alfândega, entre outras.
‘‘O gargalo do custo portuário está na mão-de-obra’’, afirma o presidente da ABTP e diretor-superintendente da Portocel, Osmar Luis Rebelo de Oliveira. Na análise do empresário, é isso que dificulta os grandes investimentos em infra-estrutura para aumentar a eficiência e a produtividade dos embarques e desembarques. O problema é que a lei federal 8.630 determina a utilização nos portos de mão-de-obra avulsa (100%).
A Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa) está empenhada exatamente em reduzir custos, melhorando a gestão administrativa do seu terminal privativo em Cubatão (SP). O diretor administrativo de operações portuárias, Francisco Nogueira Fontenelle, conta que, entre 15 de abril e 31 de maio, a Cosipa conseguiu avaliar a produtividade da mão-de-obra própria em relação à avulsa porque a empresa obteve um decisão judicial que permitiu o uso de trabalhadores contratados pela Cosipa.
Os resultados são significativos. Na exportação de produtos siderúrgicos, por exemplo, a produtividade da mão-obra própria foi de 72 toneladas embarcadas por homem/dia, enquanto a média dos trabalhadores avulsos foi de 29 toneladas. ‘‘Como o pessoal é novo, essa produtividade deve melhorar ainda mais’’, diz Fontenelle.
Ele conta que outra despesa que onera os gastos portuários é o valor a ser pago para a Codesp para o navio passar no porto de Santos. No ano passado, a Codesp cobrava US$ 4,42 a cada tonelada que passava pelo canal do Porto de Santos. Por entender que o preço cobrado deve ser proporcional à tonelagem movimentada, a empresa entrou com ação administrativa no Ministério dos Transportes e o órgão determinou um preço provisório (US$ 0,45) por tonelada até que se chegue a uma conclusão definitiva.

mockup