Mão de obra puxa custos de produção da laranja no PR
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sexta-feira, 29 de maio de 2015
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Produzir laranja no Paraná está mais caro em 2015. É o que aponta um boletim de fruticultura divulgado ontem pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com o Centro de Inteligência de Mercado da Universidade Federal de Lavras (CIM/UFLA). De acordo com o levantamento, o Custo Operacional Total (COT) da citricultura - que engloba as principais despesas da atividade, mais a reposição do patrimônio depreciado - subiu 3,03% no Estado no primeiro quadrimestre deste ano, comparado ao mesmo período de 2014. O COT da produção, quando balizado na caixa de 40 kg, portanto, ficou em média R$ 13,64 entre janeiro e abril.
A alta está justificada principalmente na contratação de mão de obra, por conta do reajuste do salário mínimo de 8,84%, além do aumento dos custos com mecanização (6,22%), gastos gerais (3,48%) e fertilizantes (3,23%). A única retração no que diz respeito aos custos é na utilização de corretivos na lavoura (-1,44%). Os números foram obtidos em duas cidades do Estado: Alto Paraná e Rolândia. O levantamento aponta ainda que a colheita e a pós colheita têm as maiores participações no COT. Em Alto Paraná, tais grupos corresponderam, em média, a 26% dos custos, enquanto em Rolândia, 34,1%.
O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura (Seab) divulgou este mês os últimos números referentes à citricultura paranaense. Em 2013, a produção fechou em 994,2 mil toneladas numa área de 27,9 mil hectares. A produção de laranja no País ficou em 14,8 milhões de toneladas no ano passado, em área de 650 mil hectares. A colheita da próxima safra começa em julho e segue até dezembro.
O técnico do Deral especializado em fruticultura, Paulo Andrade, explica que há alguns anos houve um arrefecimento do mercado da laranja, justificado principalmente por duas supersafras que ocorreram no País. "A produção paranaense está estabilizada em cerca de um milhão de toneladas. O estado de São Paulo sofreu muito com o greening (doença que ataca os pomares), mas no Paraná a doença não agiu de forma tão veloz", explica ele.
No que diz respeito aos preços de comercialização da caixa de 40,8 kg da laranja voltada para a indústria, o último valor estimado pelo Deral é de janeiro antes do início da entressafra que ficou em R$ 16. No ano passado, a média do valor de comercialização no Estado foi de
R$ 9,94. "Acredito que a indústria não vai ofertar bom preço neste ano novamente", decreta Andrade.
Mesmo com o aumento dos custos de produção e os valores de comercialização nada atrativos, o técnico do Deral relata que o produtor não tem outra alternativa a não ser continuar investindo. "Estamos falando de uma atividade perene, com pomares que podem ficar no campo por muitos anos e necessitam de cuidados. A citricultura paranaense passa por um momento de cautela, mas não desespero", finaliza ele.



