De acordo com os dados do IBGE, a taxa de subutilização de trabalhadores no Paraná cresceu 63% desde 2014
De acordo com os dados do IBGE, a taxa de subutilização de trabalhadores no Paraná cresceu 63% desde 2014 | Foto: Gina Mardones/8-9-2016



A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que a força de trabalho ociosa no Brasil fechou 2016 com um aumento de 20,12%. No último trimestre do ano, a taxa de subutilização teve um incremento de 22,2% em relação ao trimestre anterior. Isso significa que 24,3 milhões de pessoas estão trabalhando menos do que sua disponibilidade de horas. Um aumento médio de 6%.
O Paraná ficou acima da média nacional na comparação entre o terceiro e quarto trimestres de 2016. Segundo o IBGE, o aumento foi de 8% (873 mil trabalhadores subutilizados). O Instituto vem aferindo a taxa de subutilização da força de trabalho desde 2012, a partir de uma recomendação da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
"Percebemos que a partir o início da crise econômica, em 2014, o País registrou um incremento de 46% na taxa. Ela segue a tendência da taxa de desocupação. Quando se analisa a força de trabalho potencial, esse índice é de mais de 40%, e as horas insuficientes são é de 5%", comenta Cimar Azeredo, coordenador de trabalho e rendimentos do IBGE. Em 2014, eram 15,5 milhões de trabalhadores nesta situação e, em 2015, subiu para 18,5 milhões.
Quando se analisa o Paraná, a situação é complicada, segundo Azeredo. De acordo com os dados do IBGE, a subutilização cresceu 63% desde 2014. Olhando apenas para a força potencial, o aumento médio foi de 56% desde o início da crise. Foi o pior desempenho da região Sul (54%), segundo Azeredo. O Estado, de acordo com o coordenador, também tem um desempenho negativo quando o assunto é taxa de desocupação. "Desde o início da crise, a taxa média anual de desocupação no Paraná foi de 109%, enquanto que na região Sul foi 93,7%", afirma Azeredo.

Imagem ilustrativa da imagem Mão de obra ociosa



Longo caminho
O economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), avalia que a crise atingiu o Estado com mais força porque antes da recessão o Estado vivia uma situação de pleno emprego. "O faturamento por empregos é menor do que há dois anos. As empresas estavam com mais trabalhadores do que precisavam para atender a demanda, por isso o ajuste foi tão forte em 2016. Para reconquistas as vagas é preciso começar a crescer", afirma.
Para ele, há ainda um longo caminho pela frente para a recuperação das vagas de trabalho, principalmente porque a prévia do PIB mostrou um desempenho negativo (-4,7%). "Para aqueles que querem trabalhar normalmente todos os dias em uma empresa vai demorar a recuperação deste postos. Os subutilizados vão depender da renda."
Já para o economista Marcos Rambalducci, da Universidade Tecnológica Federal do Parana (UTFPR) e consultor da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), o cenário futuro não é tão sombrio e, aos poucos, a mão de obra ociosa vai reconquistar os postos de trabalho. Mas para os desempregados, conseguir uma vaga no mercado pode demorar um pouco.
Os professores de ensino superior e profissionais liberais foram os mais afetados. "A retirada do Fies, as taxas de juros elevadas, o desemprego, tiraram muitos alunos das faculdades privadas. Isso fez com que professores que estavam com 20 ou 25 horas contratadas, passassem para 8 ou 12 horas, deixando ociosa essa força de trabalho", exemplifica Rambalducci.
O mesmo ocorreu com profissionais liberais, de vendas, engenheiros, consultores, advogados, que tiveram a demanda de trabalho reduzida. "E em Londrina, esses profissionais têm dificuldades de migrarem para outras áreas, principalmente aquele com formação superior", observa.

Fator Selic
O economista da UTFPR acredita que a redução da taxa de juro (-0,75 pontos percentuais) anunciada pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central na quarta-feira (22) sinaliza positivamente uma queda da inflação. "Com uma inflação menor não perdemos o nosso poder de compra e voltamos a consumir. A oferta de crédito estudantil será melhorada, permitindo o ingresso na faculdade privada e por consequência a contratação de hora/professor", ressalta Rambalducci.
A redução da taxa de juros, na opinião dele, também vai impulsionar a tomada de crédito e a retirada da gaveta de projetos, impulsionando a contratação de profissionais liberais. A volta do consumo também deve diminuir a ociosidade da indústria e a subutilização do trabalhador.

15 Estados têm taxa recorde de desemprego no 4º tri de 2016

Rio - A taxa de desemprego atingiu patamar recorde em 15 unidades da federação no quarto trimestre de 2016, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
"O último trimestre do ano deveria ser de recuo na taxa de desocupação. O mercado de trabalho está mais favorável? Não. Se estivesse, não teria recorde em 15 unidades da federação", ressaltou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.
Amazonas, Pará, Amapá, Tocantins, Maranhão, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal tiveram as taxas mais elevadas da série histórica, iniciada no primeiro trimestre de 2012.
Em São Paulo, o recorde tinha sido alcançado no terceiro trimestre de 2016, com taxa de desemprego de 12,8%, mas arrefeceu para 12,4% ao fim do ano passado.
Se consideradas as pessoas desempregadas, subocupadas ou inativas com potencial para trabalhar, faltou trabalho para 4,591 milhões de pessoas no Estado de São Paulo, na média de 2016, ante um contingente de 3,390 milhões de indivíduos nessa situação em 2015. (Daniela Amorim/Agência Estado)

mockup