A descentralização do emprego industrial não é um fenômeno explicado só pela migração de indústrias para o interior, alerta o economista Sílvio Sales, do IBGE. O deslocamento dos investimentos também explica isso. As empresas buscam mão-de-obra mais barata, normalmente fora dos centros, onde o sindicalismo é menos atuante, diz o economista Paulo Gonzaga, do IBGE.
Outro fator é que grandes pólos industriais cortaram muito mais postos na busca pela produtividade e também sofreram mais com as crises internacionais de 97 e de 98, diz o chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Sílvio Sales.
‘‘A grande marca dos anos 90 foi o desemprego na indústria, quer fosse numa fase recessiva quer fosse num ambiente de crescimento’’, afirma. Em 98, o peso do emprego industrial havia caído para 19% do total de vagas existentes no país, contra 33% em 85.
Mesmo tendo cortado mais vagas e reduzido sua participação no peso do emprego industrial do País, o Estado de São Paulo continua com o maior peso na geração de riquezas do País, afirma Sales. O economista João Saboya, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), autor de um trabalho que mostra a desconcentração do emprego industrial do início da década de 90 até 1997, identifica ainda outro fator. ‘‘A guerra fiscal entre Estados e municípios para atrair investimentos. Esse é um ponto que eu não estudei, mas com o qual todos concordam’’, afirma.

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