São Paulo - A competitividade chinesa pesa muito. Enquanto os brasileiros são bastante competitivos em algodão, principalmente no segmento cama e mesa, os asiáticos são imbatíveis em sintéticos. A China tem acesso a empréstimos com juros baixos e vêm ampliando sua capacidade de produção, ganhando escala. Além disso, tem mão-de-obra baratíssima. E, para completar, o insumo dos tecidos sintéticos as resinas petroquímicas sai bem mais caro para o empresário têxtil brasileiro.
''O comércio da China não é leal'', diz Fernando Valente Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Segundo ele, não há igualdade de condições para competir com os chineses, porque eles têm moeda fixa subvalorizada em 40%, enquanto os brasileiros estão com o câmbio valorizado. ''Já vimos esse filme, dez anos atrás, e sabemos que o mocinho morre no final se não forem tomadas providências'', diz Pimentel, referindo-se à redução das alíquotas de importação de têxteis, política implementada pelo então ministro da Fazenda de Itamar Franco, Ciro Gomes, que levou a uma invasão de produtos chineses na época.
O desemprego ronda Americana e região. O setor emprega hoje 30 mil trabalhadores em toda a cadeia, fiação, tecelagem, preparação do tecido, até confecção. As indústrias ainda operam em três turnos, mas podem reduzir para dois. Mario Zocca, proprietário de uma tecelagem, já deu um passo adiante. Dos 24 teares, seis já foram parados. ''Acho que o setor deve esperar no máximo dois meses. Caso não haja uma reversão da situação, haverá demissões'', afirma. (A.B. e P.C.M.)

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