Mão de obra cara e escassa atrapalha silvicultor paranaense
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quinta-feira, 01 de agosto de 2013
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
A mão de obra escassa e cara continua sendo a pedra no sapato do silvicultor brasileiro e também paranaense. De acordo com o boletim "Ativos da Silvicultura", elaborado pela Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com a Dendrus Projetos Florestais e Ambientais e a Universidade Federal de Viçosa (UFV), o problema se agravou após a crise de 2008 em virtude do colapso na oferta de madeira para produção de celulose, carvão vegetal e painéis de madeira.
O estudo revela que a viabilidade de investimento num projeto florestal é significativamente afetada pelas despesas com pessoal, pois a maioria dos trabalhadores florestais tem seu rendimento indexado ao salário mínimo, cujo valor nos últimos dez anos foi amplamente superior aos índices de inflação. O valor do salário mínimo mais que dobrou, passando de R$ 300/mês em 2005, para R$ 678/mês em 2013, equivalentes hoje a US$ 340. Neste mesmo período, o preço do carvão vegetal passou de R$ 415 para R$ 500 a tonelada: apenas 1,2 vezes mais, demonstra a análise feita pela CNA.
No Paraná, os produtos florestais correspondem a aproximadamente 7% do Valor Bruto da Produção Agrícola (VBP). Em 2011, último levantamento realizado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura (Seab), o setor gerou receita de R$ 3,3 bilhões. O plantio no Estado engloba 1,4 milhão de hectares, sendo que 80% da área está localizada na região de Ponta Grossa.
Segundo o levantamento da CNA, a atividade florestal é extremamente dependente do uso de mão de obra, mesmo quando implantada em áreas planas e mecanizáveis, onde determinadas operações - combate a pragas, como a formiga, irrigação e aplicação de herbicidas ainda são realizadas manualmente. De acordo com a engenheira florestal do Deral Rosiane Cristina Dorneles, a mão de obra é um dos gargalos para que a produção se desenvolva de maneira efetiva no Estado. Ela explica que até os quatro anos de idade das árvores, a mão de obra é importante semestralmente ou anualmente no trato da cultura. "É o período mais crítico e que precisa de cuidados. Depois dos quatro anos, a necessidade da mão de obra diminui significativamente."
Outro problema encontrado pelo silvicultor paranaense é o longo período de espera até que ele consiga ter liquidez com o negócio. A engenheira florestal explica que "são pelo menos sete anos até que o produtor comece a ter um retorno significativo". O Deral não possui estimativa dos custos de produção, mas o levantamento da CNA aponta um aumento de 6% entre o final do ano passado e o primeiro trimestre de 2013 só na região de Curvelo, em Minas Gerais.



