Manutenção do juro em 19% derruba a cotação do dólar
Agência Estado
De São Paulo
A manutenção da taxa básica de juros Selic em 19% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a troca de títulos velhos da dívida externa por bônus de 30 anos e a decisão sobre o salário mínimo os dois últimos, fatores favoráveis às contas públicas , levaram a cotação do dólar a cair, ontem, para R$ 1,72, a menor desde maio do ano passado, quando chegou a R$ 1,6550.
O que pesou mais na balança foi a manutenção dos juros, disse o diretor de câmbio do Lloyds TSB, Edson Barbosa. A manutenção da taxa Selic deu mais tranquilidade ao investidor externo, aumentando a oferta de moeda, acrescentou Erberth Soares, gerente de câmbio da corretora Finambrás.
Com o juro intacto, investidores que haviam liquidado aplicações em reais às vésperas da reunião do Copom voltaram a aplicar na moeda local. E aqueles que estavam fora, vendo que o BC adotou a tendência de baixa, indicando que a qualquer momento poderá reduzir a taxa, trataram de trazer logo dólares para aproveitar os 19%.
O recuo mais acentuado da moeda norte-americana ontem segue uma tendência de valorização do real que vem desde o fim do ano passado, quando o dólar bateu o pico de R$ 2,10, tendência derivada da crescente entrada de investimentos diretos estrangeiros e captações privadas e oficiais de recursos no exterior. Há ainda as entradas para pagamento dos processos de recompra de ações de empresas privatizadas adquiridas por estrangeiros, como da Telesp Celular, o embarque da safra agrícola e o BC vendendo títulos cambiais, as chamadas Notas do Banco Central série Especial (NBC-E ) e Notas do Tesouro Nacional em dólar ( NTN-D), ao mercado.
Mas o juro alto é o fator determinante, segundo o professor da Unicamp Bernard Appy, da LCA-Consultoria. A decisão de manter a inflação sob controle, levando a conservar a taxa Selic em 19% desde setembro, foi o que determinou um fluxo maior de capitais externos, dadas as condições atrativas, vale dizer o diferencial entre as taxas de juros domésticas em comparação às internacionais, explicou.
Admite-se no mercado que o dólar pode cair ainda mais, mas ninguém arrisca dizer até que nível.





