Brasília - Mais de 85% das cédulas de real em circulação estão em boa qualidade, de acordo com pesquisa feita pelo Banco Central (BC) na virada de 2011 para 2012. Apesar disso, o custo médio com a produção anual do dinheiro chega a R$ 472 milhões, dos quais R$ 377 milhões são gastos com substituição de cédulas desgastadas, revelou ontem o diretor de Administração da autoridade monetária, Altamir Lopes.
''Dinheiro custa dinheiro'', segundo ele, e a sociedade inteira paga pelo desleixo de alguns que rasgam, grampeiam ou escrevem nas cédulas, descaracterizando-as para a adequada circulação. E quando isso acontece, acrescentou, cabe ao comércio encaminhar o dinheiro estragado à rede bancária, que é obrigada a promover o envio ao BC para substituição. Ele ressalta, portanto, a necessidade de ações educativas quanto ao uso do dinheiro.
Altamir entende que a manutenção da cédula em boa qualidade contribui para a imagem do País, e se constitui em ''um dos primeiros cartões de visita'' para os estrangeiros que vêm ao Brasil. Além disso, enfatizou que é por meio da preservação dos bons elementos de segurança do dinheiro que se consegue identificar sua legitimidade, e ''isso, evidentemente, inibe a ação de falsários''.
A pesquisa do BC ouviu 2.013 comerciantes e prestadores de serviços de todo o País e constatou diferenças de qualidade das notas em circulação entre as regiões do Brasil, relacionadas a fatores como influência climática e o grau de dificuldade a acesso aos serviços bancários, o que acarreta em maior manuseio das células. Verificou também que as cédulas de R$ 2, R$ 5, R$ 10 e R$ 20 reais têm vida útil de 14 meses em média, enquanto as notas de R$ 50 e R$ 100 reais duram em média 37 meses.
O chefe do Departamento do Meio Circulante do BC, João Sidney, acrescentou que dos R$ 4,3 bilhões em moedas emitidas do Plano Real (1994) para cá, correspondentes a 18,7 milhões de moedas, 27% delas, equivalentes e R$ 508 milhões, estão fora de circulação. Fenômeno que o BC chama de 'entesouramento' e que envolve desde a armazenagem prolongada nos 'cofrinhos' à simples perda de moedas de baixo valor, aí considerada também a moeda de R$ 0,01 que deixou de ser fabricada em 2004.

Imagem ilustrativa da imagem Manutenção do dinheiro custa R$ 472 mi por ano
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