Manutenção de aviões pode crescer 7%
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de janeiro de 2004
Alan Maschio<br> Rio de Janeiro 
O mercado de manutenção pesada de aeronaves na América Latina deve crescer 7% ao ano nos próximos cinco anos, e abocanhar pelo menos a mesma porcentagem dos US$ 37 bilhões movimentados anualmente pelo setor. A estimativa é da companhia de transporte aéreo Varig, que espera, com a Varig Engenharia e Manutenção (VEM), melhorar a receita do grupo, com dívidas estimadas em cerca de R$ 1,5 bilhão.
A VEM, empresa do grupo Varig especializada em manutenção de aeronaves e com sede no Rio de Janeiro, possui o maior hangar do Hemisfério Sul e gerou receita de US$ 450 milhões no ano passado. Segundo o engenheiro Luiz Alberto Correa, gerente de marketing e vendas da VEM, 50% dos serviços realizados atualmente pela oficina são para outras companhias de aviação, inclusive aviões das forças aéreas da Argentina e do próprio Brasil.
Especializada na manutenção de aparelhos da Boeing, Embraer e Fokker, a VEM pode, em breve, ampliar seu leque de clientes. ''Estamos trabalhando com capacitação de profissionais para a manutenção de aeronaves da Airbus'', conta Correa. Além do Hangar localizado no Rio de Janeiro, a Varig conta com oficinas em São Paulo e Porta Alegre.
Em entrevista concedida à imprensa durante visita à VEM, o presidente da Varig, Luiz Martins, confirmou a dívida de US$ 1,5 bilhão da empresa, dos quais cerca de US$ são relativos à impostos. A parceria com a TAM para compartilhamento de vôos, estabelecida desde 10 de março do ano passado, está colaborando decisivamente para a saúde financeira da empresa. Segundo sua assessoria de imprensa, o índice de ocupação dos vôos compartilhados subiu de 30% para até 80%.
Pressionadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para se posicionarem sobre uma possível fusão, Varig e TAM ainda não assumiram posições oficiais. Segundo Martins, a fusão ainda é ''um negócio interessante para as duas empresas.'' ''No entanto, a proposta inicial precisa ser revista. As condições mudaram e o modelo inicial não serve mais'', disse.
Desde 11 de setembro de 2001, data dos atentados ao World Trade Center, juntamente com a crise econômica argentina, a Varig acumula 40% de perdas em sua receita. Demais fatores como preços diferenciados para o combustível e alta carga tributária estão colaborando para a situação crítica do ramo no País, segundo Martins. ''Nós e a TAM pagamos 6% a mais no preço do combustível do que as empresas estrangeiras que operam no Brasil, e essa despesa representa 23% de nossos custos. Além disso, pagamos mais que o dobro que a carga tributária das companhias européias e quatro vezes mais que as americanas'', afirma.
Além de cobrar do Planalto mais sensibilidade quanto aos problemas do setor, o presidente da Varig garantiu que a dívida da empresa não preocupa. ''O governo federal nos deve R$ 5,3 bilhões, que já estão sendo cobrados judicialmente'', explica. ''Falta vontade política para que tenhamos incentivos'', concluiu.


