Manutenção da alíquota de importação irrita Cocamar
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quarta-feira, 16 de dezembro de 1998
ArquivoLouiz Lourenço: irritadoMarcos Zanatta 
A manutenção da alíquota de importação do algodão em 6% até o ano 2001, anunciada pelo Ministério da Indústria, Comércio e Turismo, revoltou o presidente da Cocamar, Luiz Lourenço. Em tom de desabafo, ele disse ontem em Maringá que o governo federal não está dando nenhum sinal de que pretende apoiar o produtor de algodão. O acordo com lideranças do setor agropecuário previa o aumento progressivo da alíquota, que de 6% passaria nos próximos dois anos para 8% e a 9% em três anos. Entre os países do Mercosul, a alíquota é zero.
Segundo Lourenço foi a importação do produto e as vantagens oferecidas para pagamento que acabaram com as lavouras de algodão no Paraná. Na safra 91/92 a área plantada no Estado foi recorde, de 704,4 mil hectares. Na atual safra as lavouras não chegam a 50 mil hectares. Na região de abrangência da Cocamar, que chegou a ser uma das mais expressivas do Estado, a área caiu pela metade em relação à safra passada, chegando hoje a quase 8 mil hectares. No início da década os cooperados plantaram mais de 40 mil hectares.
Lourenço lembra que durante os últimos anos, o governo não impôs uma taxação nem para o produto importado de países que subsidiam a agricultura. O que acabou criando uma situação insustentável para o cotonicultor e muito danosa ao país, garante ele. Apenas o Paraná, que já foi o maior produtor nacional de algodão, mais de 200 mil bóias-frias ficaram sem emprego. Além dos trabalhadores volantes, os chamados bóias-frias, também nas cidades está havendo desemprego por causa do fechamento de usinas de beneficiamento e outras empresas do segmento.
Outro problema para o produtor de algodão, diz Lourenço, é a dúvida se o governo vai manter o instrumento de comercialização instituída no início da safra, o Prêmio de Escoamento da Produção (PEP). O PEP é utilizado em leilões para financiar a compra pela indústria. No ano passado o sistema foi adotado muito tarde, e agora existem dúvidas se será mantido. O Paraná tem perdido a cultura também para outros estados, que cultivam algodão em grande escala e mecanizado, o que possibilita a redução dos custos.


