O desafio do empresariado não é só superar a crise econômica atual, mas alterar a vontade negativa dos clientes em consumir. Embora o 13º salário esteja no bolso de cada pessoa e o emprego ainda resista para a maioria da população brasileira, as notícias negativas da economia mundial estão produzindo um efeito psicológico paralisante nos consumidores. Reverter esta tendência negativa no consumo passa a ser a saída para micros e pequenas empresas. Esta é a síntese de ''Como agir na Crise'', um manual elaborado às pressas pelo Sebrae neste último trimestre do ano.
As dicas surgiram através de uma pesquisa elaborada por uma equipe multidisciplinar da entidade, chamada de Grupo de Monitoramento da Crise. O manual espelha os diversos tipos de ramos empresariais e, para cada caso, qual deve ser o comportamento diante da crise. ''Crise é oportunidade. Por exemplo, se o produto importado ficou caro agora por causa do câmbio, a empresa nacional pode faturar com isso fabricando e vendendo'', simplifica Antonio Carlos de Matos, gerente de Orientação do Sebrae.
Ele ressalva, porém, que dependendo do ramo empresarial, as dificuldades podem ser maiores, porém nada que uma boa administração dos custos fixos e dos gastos não possa fazer para atravessar o 1º semestre do próximo ano, período considerado crítico para as micros e pequenas empresas.
Matos destaca que a crise tem um forte ingrediente psicológico, já que o País continuará crescendo ano que vem. ''Vamos crescer menos ano que vem, em torno de 4% do PIB, mas vamos continuar crescendo'', afirma. Ele lembra que importantes economias como a americana e a européia terão crescimento negativo até no mercado interno. ''Está claro que temos uma oportunidade, só temos que agarrá-la'', argumenta.
O gerente de Orientação do Sebrae descreve que a atual crise financeira tem aspectos relevantes para reflexão da classe empresarial. O primeiro é o financeiro, que valorizou mercadorias bem acima do valor real. Ele citou como exemplo o barril do petróleo, que chegou a custar antes de setembro US$ 150 dólares e agora não passa de US$ 47 dólares. Esta crise de precificação, segundo ele, foi alavancada por empresas que buscaram crédito no mercado financeiro. Agora, segundo ele, o mercado terá que dar o preço real dos produtos, só assim a economia voltará à sua normalidade.
O segundo aspecto, a desconfiança inicial provocada pelas primeiras quebras de empresas e bancos pelo mundo afora acabou reprimindo o crédito interno, com bancos não querendo emprestar e as empresas ficaram sem capital de giro para operar seus negócios. Para Matos, na medida em que o consumo retormar, esta desconfiança tende a desaparecer. ''Por enquanto, é bom conseguir bom preço com forncedores, diminuir a margem de lucro e seduzir o cliente para consumir'', ensina.
O terceiro ponto, segundo Matos, é que os consumidores ainda não se deram conta de que a mesma capacidade de compra que tinham no início de janeiro deste ano, têm agora. ''Os parâmetros não mudaram, tem até o 13º salário'', insiste. Para ele, embora o crédito esteja restrito, buscar prazos com fornecedores para ampliar o prazo de pagamento de clientes não deixa de ser uma boa estratégia. ''Temos que investir. Economia é assim, um dia estamos em crise, daqui alguns meses as pessoas descobrem que vão ter que continuar suprindo as suas necessidades'', resume.
O Sebrae orienta empreendedores na concepção e manutenção de novos negócios em todo território na nacional, trabalhando com micros e pequenas empresas, cujo faturamento médio, respectivamente, é de R$ 240 mil e R$ 2,4 milhões. Hoje no país existem 5 milhões de micro e pequenas empresas formais no Brasil, além de mais de 10 milhões em situação de informalidade. As micros e pequenas empresas formais empregam 7O% da mão-de-obra registrada no País.




Como agir na crise

Recomendações gerais:

1. Vender é prioridade. Procure alternativas para atrair novos clientes e fidelizar os já existentes;

2. Tenha sobre absoluto controle suas despesas e receitas;

3. Atenção aos custos fixos. Localize e corte todas as despesas desnecessárias;

4. Converse com seus funcionários e peça sugestões para diminuir despesas;

5. Olho no estoque, veja se ele não cresce com ''produtos encalhados'';

6. Analise o potencial de venda de seus produtos e aposte nos que possuem maior índice de vendas e boa rentabilidade;

7. Tente negociar maior prazo de pagamento com seus fornecedores de forma a receber suas vendas antes de ter de pagar os fornecedores;

8. Evite contrair dívidas, principalmente em moeda estrangeira;

9. Não dependa nunca de apenas um ou dois grandes clientes;

10. Nunca faça um investimento sem antes obter o máximo de informações, analisar o potencial do mercado consumidor, o nível de vendas para o retorno e o capital de giro necessário para manter o negócio até que ele comece a dar retorno;

11. Evite demitir funcionários. Só faça se for muito necessário. Você vai precisar de funcionários treinados para enfrentar eventuais dificuldades;

12. Procure ganhar produtividade e competitividade, verifique seus preços, margens, custos fixos, processos produtivos. Veja se há algo a ser melhorado;

13. Mantenha-se informado sobre os desdobramentos da crise, procure entender como ela deve impactar em seus principais clientes;

14. Atenção às medidas anunciadas pelo governo, tente entender como elas impactarão no seu negócio. Participe das reuniões em sua entidade empresarial;

15. Esteja sempre aberto às mudanças, seja de produtos, processos internos e mercados;

16. Fique atento às novas oportunidades, elas sempre surgem em momentos de crise;

17. Procure melhorar seus conhecimentos de gestão. Quem administra melhor enfrenta menos dificuldades nos momentos difíceis. O Sebrae pode ajudar o empreendedor nisso.

Fonte: Sebrae

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