O desembargador da 2 Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná, Carlos Hoffmann, negou ontem o pedido inicial de habeas corpus para os sete donos e gerentes de postos de combustíveis de Londrina, cujos mandados de prisão foram expedidos na última segunda-feira pela juíza da 5 Vara Criminal, Oneide Negrão. O pedido de habeas corpus foi feito anteontem pelo advogado do grupo de réus, Sérvio Borges.
Em seu despacho, o desembargador Carlos Hoffmann indeferiu o pedido feito pelo advogado de ''sustação dos efeitos'' do decreto de prisão preventiva e requisitou informações à juíza Oneide Negrão, além das peças da ação penal. Assim, a 2 Câmara Criminal continuará julgando o pedido de habeas corpus dos sete réus.
Os ''posteiros'' Nilo Joji Morishita (Posto 12), Sandro Vicente Zanchet (Posto Nova Higienópolis), Marcos Antonio Suriam (Posto Itália), Reginaldo Monteiro (Posto 7), Maxuell Pavesi (Rede Petromax), Ismael Anselmo (Posto 10 de Dezembro) e Luiz Jorge Bolognesi (Posto 15) tiveram as prisões decretadas a pedido do Ministério Público Estadual em inquérito aberto para apurar crime contra a ordem econômica (formação de cartel) e constrangimento ilegal.
Exatamente às 16h20 de ontem, o advogado Sérvio Borges protocolou um pedido de suspeição da juíza Oneide Negrão, na 5 Vara Criminal. Segundo Borges, a juíza teria declarado antecipadamente a culpabilidade dos acusados, teria quebrado o sigilo de justiça do processo e o teria impedido de advogar. ''Só recebi as peças do processo ontem à tarde'', afirmou Borges. A juíza Oneide Negrão preferiu não se manifestar sobre o assunto.
Na última segunda-feira, Sérvio Borges entrou com pedido de suspeição dos promotores Roberto Tonon Júnior e Miguel Sogaiar, responsáveis pela investigação, à juíza Oneide Negrão por ''quebra de sigilo do processo e impedimento de acesso ao inquérito''. ''Eu também entrei com representação contra os promotores. A reclamação entrou ontem à tarde na Procuradoria Geral de Justiça, em Curitiba'', disse o advogado.
Sérgio Borges afirmou que já esperava pelo indeferimento do pedido de liminar que suspenderia a prisão preventiva de seus clientes. ''Isso é normal, já que o desembargador desconhece o processo. Mas ele pediu mais informações e o habeas corpus deverá ser julgado por três desembargadores da 2 Câmara Criminal.''
Borges afirmou não estar tendo contato com seus clientes, que continuam foragidos da Justiça. ''Tenho falado com os seus familiares diariamente. As notícias é que eles estão nervosos e sofrendo muito. Tem gente até deixando de abastecer em seus postos'', disse.
A Polícia continua à procura dos sete réus. ''Mas ainda não temos nenhuma pista do paradeiro deles'', afirmou ontem o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial de Londrina, Gilson Garrett Algauer.
O Ministério Público Federal também investiga a formação de cartel e prática de dumping no setor de combustível no município. A Receita Estadual de Londrina deflagrou ontem uma operação de fiscalização em 18 postos da cidade, atendendo solicitação da Procuradoria da República de Londrina. ''Não encontramos nenhum documento irregular no primeiro dia, mas os trabalhos só devem terminar daqui a um mês'', informou o delegado da Receita Estadual em Londrina, Carlos Gilberto Schafer. Segundo ele, 18 fiscais trabalham na operação. Na regional da Receita de Londrina, que abrange 63 municípios, o setor de combustíveis deixou de recolher R$ 5 milhões nos últimos três anos, entre imposto (ICMS) e multas.

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