São Paulo - O ritmo de crescimento econômico do País pode ser ''mais modesto'' a médio prazo, em torno de 3,5% a 4% ao ano, se o projeto das Parcerias Público-Privadas (PPP) não for aprovado. A advertência é do ministro do Planejamento, Guido Mantega, referindo-se a riscos de estrangulamento na infra-estrutura, principalmente nos corredores de exportações e das safras agrícolas. ''Não estou dizendo que o País vai parar. Estamos no ritmo do crescimento sustentado'', explicou, ponderando que, sem investimentos em infra-estrutura, será difícil um ''desempenho asiático'', de 6% a 7% ao ano, como ''precisamos e podemos ter''.
Nesta semana, Mantega promete fazer um corpo-a-corpo no Senado em busca de apoio para aprovar o projeto antes das eleições de outubro, embora os partidos de oposição resistam a essa proposta. ''Se houver vontade política, não é inviável'', disse o ministro, sobre o tamanho da dificuldade a ser vencida. Caso o projeto das PPP seja aprovado só no final do ano, Mantega prevê que as primeiras licitações só seriam feitas em meados de 2005.
''Temos de separar a questão técnica da questão eleitoral'', afirmou, rebatendo críticas ''superficiais'' que vem sendo feitas ao projeto. De acordo com ele, os parlamentares que ficarem contra a proposta serão ''cobrados'', porque estarão indo contra ''interesses da Nação''. No curto prazo, Mantega disse que não há temores, mas a falta de investimentos gerará estrangulamentos no médio prazo. Na bancada do governo no Senado, o ministro disse que conta com apoio de todos os parlamentares. O senador Saturnino Braga (PT-RJ) apresentará uma emenda ao projeto, mas votará pela aprovação da proposta, independentemente dessa emenda.
Mantega disse que concorda em alterar o projeto para fortalecer o respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que, segundo parlamentares da oposição, estaria ameaçada pelas regras das PPP. ''Se há interesse em preservar a LRF, não vejo problemas em alterações para reforçar a lei'', afirmou o ministro do Planejamento, mas não concorda com mudanças que desfigurem o projeto de lei.

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