Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, respondeu ontem às críticas de que o plano de safra e as medidas para recuperação do setor agrícola anunciados na semana passada não seriam suficientes para o setor.
Os deputados e representantes dos produtores presentes na audiência pública realizada na Câmara reclamaram, entre outras coisas, da excessiva valorização do real e da não-intervenção do Banco Central quando a moeda norte-americana começou a cair.
''A política econômica é a mesma desde o início do governo. Essa política econômica não prejudicou a agricultura em 2003 e 2004. Nesse período a agricultura apresentou um desempenho bem satisfatório'', disse Mantega.
Ele lembrou que em 2003 o PIB agrícola foi de 4%, contra 0,5% do crescimento da economia como um todo. Já em 2002, o PIB agrícola foi de quase 6% contra um crescimento médio de 2% do PIB nacional.
Para Mantega, a valorização do real é consequência do bom desempenho da balança comercial. ''O câmbio se valoriza não como política de governo, ao menos de forma direta.'' No entanto, Mantega admitiu que o juro alto influenciou o processo de valorização do real. Ele voltou a afirmar que é contra uma política de ''câmbio engessado'' e defendeu mais uma vez o câmbio flutuante.
Mantega disse ainda que irá acompanhar de perto as reivindicações dos produtores rurais, mas que não será possível exonerar da Cide o óleo diesel, porque isso afetaria as contas públicas. já que não há como separar o diesel que é consumido pela agricultura do que é consumido em outros setores.
Durante a audiência pública, o pacote de medidas do governo federal foi criticado. Para os produtores, os R$ 60 bilhões anunciados para o financiamento da safra não são suficientes porque os agricultores não terão acesso a essas linhas, uma vez que possuem muitas dívidas.
''O ministro (da Agricultura), Roberto Rodrigues, não deu alívio nenhum (para os produtores rurais), senão não estaríamos aqui'', disse o vice-presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Homero Pereira. Para ele, se a crise continuar o país terá que importar alimentos.''Se a crise é sem precedentes, as medidas também têm de ser sem precedente. As medidas tomadas até agora são paliativas.''

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