Brasília - O novo ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que irá trabalhar para alcançar as metas econômicas já traçadas pelo governo Lula. Disse que não irá alterar a política fiscal ou cambial, e que a trajetória da taxa básica de juros, a Selic, está no caminho certo. ''Continuaremos praticando a política econômica em vigor. Vamos zelar pelos fundamentos econômicos'', disse o ministro sobre o compromisso com o equilíbrio fiscal e o controle da inflação. A declaração no entanto não foi suficiente para tranquilizar o mercado financeiro, que viveu um dia nervoso ontem (leia na página 2).
Mantega afirmou que não irá alterar a atual meta de superávit primário - receitas menos despesas, excluindo gastos com juros -, que é de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB). A política de câmbio flutuante não será alterada, segundo o ministro. Ele a considera mais eficiente, embora admita que tenha ''efeitos colaterais'', como a dificuldade de os exportadores manterem a competitividade com o real valorizado. Mantega acredita que ao longo do tempo essa valorização será corrigida com o aumento das importações e a redução da taxa de juros.
O novo ministro aposta que o País irá repetir nesse ano um crescimento similar ao registrado em 2004, quando a economia cresceu 4,9%. ''A boa notícia é que 2006 já começou com um crescimento vigoroso'', disse Mantega, ao reafirmar a previsão feita anteriormente por Palocci, de que o Produto Interno Bruto (PIB) irá crescer entre 4,5% e 5%. No ano passado, o crescimento foi de 2,3%.
Sobre seu relacionamento com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ele o classificou como cordial. Lembrou que já trabalharam juntos - quando Mantega ocupava o Ministério do Planejamento - e que o comando da autoridade monetária é de responsabilidade do presidente Lula. ''Não há nenhum conflito com o ministro (Meirelles). Estamos conversando.''
Disse ainda que nunca foi contra a política monetária do BC, e sim contra a dosagem no ritmo de corte da Selic, que hoje está em 16,5% ao ano. ''O que eu manifestei é que houve um excesso de zelo da equipe do Copom (Comitê de Política Monetária do BC). Porém, eles já estão reparando, se é que houve excesso de zelo'', disse o ministro, ao avaliar que a trajetória de juros caminha para um patamar adequado.
Como presidente do BNDES, Mantega defendeu um corte maior na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que hoje está em 9%. Ontem, ele disse que há espaço para esse corte, mas a magnitude será decidida com os demais membros do Conselho Monetário Nacional (CMN) na reunião de amanhã. Além do ministro da Fazenda, o conselho é formado pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e o presidente do BC.

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