Mantega prevê crescimento superior a 5%
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sexta-feira, 03 de dezembro de 2004
Renato Andrade e Sheila D'Amorim<br>Agência Estado 
Brasília O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, estimou ontem que a economia brasileira deverá crescer este ano mais de 5%. Segundo ele, os últimos dados apurados mostram que o País já está ''em rota de crescimento sustentado'', e o trabalho do banco será o de garantir que esse ritmo se repita ao longo dos próximos anos. ''Vamos dar suporte financeiro para que este crescimento se propague'', afirmou, logo após a reunião de apresentação da nova diretoria do BNDES ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto.
A aposta otimista está calçada nos resultados divulgados esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) do País. ''Já temos um crescimento acima de 5% este ano que é salutar e equilibrado, já que tivemos uma redução da vulnerabilidade externa do País e um aumento dos investimentos'', ponderou o executivo. ''Nossa preocupação é fazer com que este crescimento se repita em 2005 e 2006''.
Durante o encontro no Palácio do Planalto, o presidente Lula voltou a pedir todo empenho da nova diretoria do BNDES para que o dinheiro do banco seja realmente utilizado para o financiamento do maior número possível de projetos de investimento no País durante 2005. ''A missão que o presidente nos deu é de fazer o BNDES trabalhar a pleno vapor'', confirmou Mantega.
Apesar do otimismo, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, voltou a mostrar preocupação com o ritmo de desvalorização do dólar frente ao real e outras moedas estrangeiras. O temor de Furlan é o de que uma queda muito expressiva da moeda norte-americana prejudique as exportações, um dos pilares dos bons resultados da economia brasileira em 2004.
Segundo o ministro, o setor exportador vive um momento decisivo. Isso porque boa parte das empresas está concluindo o embarque das exportações que foram contratadas em junho e se prepara para fazer novas operações. ''As empresas que vão exportar em 2005 estudam a viabilidade econômica de produzir para vender à taxa de câmbio atual'', afirmou.
Existe também uma preocupação de alguns setores da indústria sobre os planos para 2005. A dúvida, segundo destacou Furlan, é se as empresas farão novos investimentos para aumentar sua capacidade de venda de produtos no exterior ou se concentrarão no atendimento da demanda interna. A taxa de câmbio é, também neste caso, um fator decisivo. ''Esse é o debate'', disse. ''É um sinal de preocupação (a desvalorização do dólar) que estamos tratando e esperamos que encontre logo um equilíbrio'', completou.
Apesar de insistir que o País precisa de uma taxa de câmbio que seja estimulante para as exportações, Furlan ponderou entre o ''desejo e o possível'' existe uma distância que não pode ser desconsiderada.


