Mantega mantém previsão de crescimento para o país
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de setembro de 2006
Fernando Canzian<br> Folhapress 
Cingapura - O ministro Guido Mantega (Fazenda) manteve ontem a previsão de que o Brasil crescerá 4% neste ano e afirmou que a ''prioridade máxima'' de um eventual segundo governo Lula será a reforma tributária. ''Existe uma grande pauta tributária para o próximo governo. Assim que o Congresso voltar a funcionar (após as eleições) vou comandar pessoalmente essa questão. É uma prioridade que temos'', disse ele no encontro do FMI em Cingapura.
Segundo ele, se eleito no primeiro turno, o governo terá um ''grande capital político'' para ''mobilizar o país'' em torno do projeto. ''As classes produtoras vão apoiar. Haverá uma nova leva de parlamentares dispostos a melhorar a imagem do Congresso e isso vai ajudar.''
Mantega colocou como opções a criação de um projeto que institua o IVA (Imposto sob Valor Agregado) nacional, recolhido pela União e repassado aos Estados, ou o aperfeiçoamento da proposta atual de homogeneização do ICMS, que hoje tem várias alíquotas diferentes no país por causa da guerra tributária dos Estados.
''Nos últimos anos, o Brasil foi criando tributos que eram mais facilmente arrecadados. A idéia é mudar a filosofia, dando mais qualidade à arrecadação e desonerando o setor produtivo.'' Mantega disse que nos primeiros anos do governo Lula o Brasil se beneficiou de um momento de ''câmbio favorável'', quando o real estava desvalorizado, o que levou o país a superávits comerciais maiores e ao equilíbrio nas contas externas.
''Agora, não podemos mais contar com o câmbio, e o Brasil não vai fazer artificialismo nessa área. Temos de compensar a perda da vantagem cambial com a redução do custo tributário'', disse o ministro.
Mantega rebateu críticas feitas por alguns membros do FMI a respeito do aumento dos gastos do governo e afirmou que a previsão de 4% de crescimento neste ano está mantida -o Fundo prevê 3,6%. Segundo o FMI, o Brasil estaria aumentado os gastos públicos não necessariamente dirigidos à infra-estrutura e áreas sociais.
''Contesto essa visão. O FMI está equivocado. Os superávits primários (para pagar juros da dívida) estão sendo feitos e aumentamos os gastos sociais, ou com os programas que temos ou pelo salário mínimo, com seus impactos via Previdência.'' Mantega reconheceu, porém, que os investimentos públicos e privados, hoje em torno de 20% do PIB é baixo no Brasil e que isso segura o crescimento. O ministro afirmou ainda que, com a inflação sob controle, o Banco Central deve continuar reduzindo os juros.


