Brasília - Crescimento maior com mais arrecadação e sem corte de gastos públicos. Essa é a equação que vem sendo traçada pela equipe econômica do governo federal em um eventual segundo mandato do presidente Lula. ''Nossa estratégia está baseada na manutenção do crescimento. Desafio alguém a mostrar algum fator que impeça o crescimento ano que vem'', disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
A equipe econômica imagina que o País poderá chegar a uma taxa média de crescimento de 5% nos próximos quatro anos e, dessa forma, será possível equilibrar as contas sem cortar gastos, apenas controlando seu crescimento para que fique abaixo da taxa de expansão da economia. Mas a estratégia não é consenso entre economistas.
O especialista em Finanças Públicas Raul Velloso avalia que a premissa em que o governo se baseia ao definir sua política fiscal para um eventual segundo mandato é equivocada. ''O que trava o crescimento é o aumento no gasto público. O PIB só vai crescer se o gasto cair.''
Para Velloso, o aumento das despesas correntes do setor público faz com que a carga tributária federal sempre cresça, sufocando o setor privado e reduzindo seu dinamismo e capacidade de investimento. Além disso, maiores gastos correntes inibem a elevação dos investimentos públicos.

Factível - O professor da Universidade de Campinas (Unicamp), Francisco Lopreato, especialista em Finanças Públicas, considera perfeitamente factível a estratégia que o governo pretende adotar. ''Não é absurdo pensar em crescimento maior.''
Para ele, entretanto, é necessário que a taxa de juros continue em queda. ''O juro é elemento fundamental. Com a situação confortável das contas externas e inflação baixa, o que está prendendo a economia é o juro'', diz, explicando que a queda também reduz a despesa financeira do governo, e, consequentemente, o déficit nominal, que leva em conta o conjunto dos gastos públicos.
Lopreato avalia que num ambiente de crescimento há melhores condições para ajustar as contas. ''Isso cria um espaço para se manipular a política fiscal de forma mais flexível. É só não deixar estourar gastos, não permitir que cresçam mais do que o PIB.'' (Fábio Graner/A.E.)

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