São Paulo - O ministro do Planejamento, Guido Mantega, discordou ontem do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e admitiu que o País enfrenta o risco de alta da inflação. ''Nós detectamos, ao longo de 2004, pressões inflacionárias. Tanto que a perspectiva para o IPCA deste ano está acima de 7%'', disse. Dirceu disse que não via razões para a elevação da taxa de juros. Ambos participaram do 1º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo.
Cauteloso, Mantega evita falar de juros na véspera da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) ''para dar liberdade'' ao órgão. ''Tenho certeza de que o Copom tomará a decisão acertada'', comentou. Segundo ele, o quadro econômico deste ano está definido.
Ele também rejeitou a posição de Dirceu de que não há espaço para discordar da posição do Ministério da Fazenda sobre a condução da política econômica. ''Eu tenho liberdade para debater todos os temas em todos os fóruns e conselhos. O debate é bem aberto'', afirmou.
Mantega concordou com Dirceu que a política econômica deve ser amplamente discutida pela sociedade, mas ponderou que a política monetária é atribuição exclusiva do Banco Central. ''Não temos um modelo econométrico que orienta a definição da taxa de juros. É uma atividade exclusiva do Copom'', afirmou.
Alegando desconhecer a sugestão, ele evitou comentar a proposta de um acordo nacional feita pelo ministro José Dirceu. ''Não está claro o que é esse acordo'', alegou, sugerindo que a proposta seja apresentada formalmente no Conselho de Defesa Econômica e Social.
O ministro atribuiu parte da pressão inflacionária atual ''ao sucesso do Brasil no comércio exterior''. ''Estamos exportando tanto que fomos contaminados pela elevação dos preços das commodities'', disse, ao falar das projeções do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2004.
Para conter a inflação, ele defendeu a importância da política fiscal na sustentabilidade da dívida pública. E reafirmou o discurso da equipe econômica de que ''uma oscilação para cima ou para baixo não vai influenciar'' a trajetória de crescimento do País. ''Nós torcemos sempre para que os juros permaneçam nos patamares mais baixos possíveis'', disse, incluindo entre os torcedores, além dele próprio, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, o presidente do BC, Henrique Meirelles, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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