O empresário Ricardo Mansur, que controla o Mappin e a Mesbla, deverá assumir também o controle das Lojas Arapuã, tornando-se o maior empresário do setor de varejo do País. Os credores da Arapuã estão aceitando sua oferta de pagar US$ 700 milhões, sem juros, em cinco anos, com seis meses de carência. Toda a negociação foi liderada pelo presidente do Bradesco, Lázaro de Mello Brandão.
A Arapuã deverá passar pela inspeção de auditores independentes e, posteriormente, será redigido o contrato de compra e venda. Já há um acordo de intenção de compra e venda assinado entre os credores, que foram colocados como negociadores das lojas pelos próprios controladores, a família Simeira Jacob.
A compra da Arapuã não será feita diretamente por Mansur, mas sim por sua holding de negócios, a United, a mesma que adquiriu os controles do Mappin e da Mesbla. A United negocia um acordo com a GE Capital, que comprou o Banco Mesbla, se associando com a empresa norte-americana no Banco Mappin, e com isto gerando recursos para vendas a prazo, com juros menores do que os do mercado.
A Arapuã tem 244 lojas no País, em 25 estados, e pertence ao Grupo Fenícia. A empresa está em dificuldades desde o ano passado, por causa da alta inadimplência que enfrentou com seus clientes. As negociações devem demorar mais duas semanas.
Por enquanto, alguns incêndios estão sendo apagados, como o quase defaultinternacional da Arapuã, que emitiu commercial papers e deveria resgatá-los no final da semana passada. Mas a esperança de que o controle da cadeia seja transferido serviu para acalmar os credores.
Análises feitas pelos clientes - cinco dos quais detêm quase que 80% do endividamento total da Arapuã - mostram que a direção da cadeia de lojas superestimou o mercado, fazendo grandes estoques e não tendo cautela no financiamento de suas vendas. Por isso, chegou a um nível elevado de inadimplência. Um cálculo dá conta que a Arapuã tem a receber hoje cerca de US$ 400 milhões de clientes.

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