Manifesto por perdão de dívidas reúne 14 mil
Manifesto por
perdão de dívidas
reúne 14 mil
Beth Cataldo
Agência Estado
Uma manifestação em defesa do cancelamento da dívida externa de países do Terceiro Mundo reuniu cerca de 14 mil pessoas ontem, em Londres. O Brasil foi representado no encontro pelo bispo de Jales (SP), dom Demétrio Valentini, que procurou vincular o endividamento externo do País às chamadas dívidas sociais. Segundo ele, os recursos destinados aos credores externos são subtraídos da área social, provocando o que chamou de estrangulamento de programas destinados principalmente à Saúde e Educação.
O Brasil, no entanto, não está incluído na lista dos países que seriam diretamente beneficiados pela pretendida redução da dívida externa. O programa montado nesse sentido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, em 1996, destina-se às nações consideradas extremamente pobres e altamente endividadas.
Inicialmente, foram incluídos nessa relação 41 países, dos quais quatro na América Latina - Honduras, Nicarágua, Guiana e Bolívia. A pretensão dos organizadores do movimento, batizado como Jubileu 2000, é de que essa lista seja ampliada para 52 países em todo o mundo.
No caso brasileiro, a coordenadora do movimento para a América Latina, Liana Cisneros, do Peru, acredita que o caminho a ser adotado é a análise caso a caso dos empréstimos externos concedidos ao País, especialmente durante o período do regime militar.
As mesmas condições seriam válidas para a Argentina e o Chile, que também não estão relacionados como beneficiários do processo de cancelamento da dívida externa. Assim, segundo ela, seria possível checar a legitimidade desses empréstimos e reivindicar o seu possível cancelamento. Esses recursos foram concedidos sem o menor escrúpulo para governos didatoriais e não há por que pagá-los, afirmou.
Moratórias Apesar dessa retórica, tanto a coordenadora
do movimento para a América Latina como dom Demétrio Valentino procuraram afastar as comparações com as iniciativas de moratória na região nos anos 80, como foi o caso do Brasil e do Peru.





