Uma força tarefa composta por dirigentes de pesos pesados como Cargill, Banco Mundial (Bird), Organização Mundial do Comércio, Coca-Cola, Sadia, Unilever, Agência Católica para o Desenvolvimento e mais 25 entidades defendeu ontem, num manifesto, a reforma do comércio agrícola. O documento critica o protecionismo nas economias do Primeiro Mundo e os subsídios que distorcem o mercado e preços.
Se o comércio agrícola for liberalizado, as economias em desenvolvimento deverão ter um ganho de renda de US$ 150 bilhões em 2015. As demais economias deverão ter um benefício de US$ 100 bilhões naquele ano, segundo estimativa do Bird citada no documento. O grupo, criado pelo Fórum Econômico Mundial na reunião do ano passado, em Davos, dirigiu as recomendações aos governos participantes da nova rodada global de negociações comerciais – lançada em Doha em novembro do ano passado.
O futuro do comércio agrícola foi um dos principais temas econômicos da reunião do Fórum, em Nova York, encerrado ontem. O ministro brasileiro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, propôs num debate que o subsídio interno aos agricultores, no mundo rico, seja desvinculado da produção. Com a desvinculação, os governos poderão complementar a renda dos agricultores, principalmente dos pequenos, sem estimular o excesso de produção e sem reduzir os preços de mercado, argumenta Pratini. Os gastos com a política agrícola chegaram a US$ 327 bilhões nos países do Primeiro Mundo, em 2000.
O protecionismo agrícola é muito maior que o industrial, apesar das mudanças previstas na Rodada Uruguai de negociações comerciais, encerrada em 1994. A tarifa média global para produtos agrícolas é 62% – para os demais produtos é 4%, informou o Bird. A agricultura, de acordo com o banco, emprega 65% da força de trabalho nos países pobres e apenas 2% nos países de renda mais alta. Melhores condições de acesso aos grandes mercados, para produtos das economias em desenvolvimento, devem facilitar, portanto, o combate à pobreza.

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