Comerciantes brasileiros liberaram ontem a Ponte Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú, na Argentina. O bloqueio foi suspenso ''temporariamente'' após políticos das duas cidades entrarem em um acordo. Lideranças argentinas prometeram encaminhar ao governo federal uma proposta de funcionamento dos despachos aduaneiros. Os manifestantes deram um prazo de dez dias para a resposta.
A fronteira foi fechada anteontem em protesto contra as medidas adotadas pelo governo Fernando de la Rúa. A Argentina impôs novas regras para as pequenas importações de produtos procedentes do Brasil. A cota mensal de compras de alimentos no supermercados caiu de US$ 100 para US$ 50. Além disso, argentinos foram impedidos de adquirir bens duráveis como materiais de construção, móveis e eletrodomésticos.
Segundo o lojista Erci João Werner, 41, reunião mantida com o prefeito de Puerto Iguazú, Timóteo Ilera, definiu como alternativa uma importação simplificada, com uma tributação de 21% sobre os produtos importados de Foz. Sistema semelhante existiria entre a Argentina e outros países sul-americanos. ''Os argentinos prometeram apresentar uma lista com os itens que podem ser tributados'', explicou Werner.
A reunião também tratou sobre a redução do valor da cota para compra de alimentos brasileiros. Os participantes, porém, não avançaram neste tema. Ela permanece em US$ 50 (R$ 130,00). ''Apesar do avanço em outras áreas, eles justificaram que esse dispositivo é mais difícil de negociar'', completa o brasileiro, ligado ao vendedor de móveis. O tema será encaminhado para estudo da Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu (Acifi).
As restrições ocorreram porque, desde a desvalorização do real frente ao peso (que está indexado ao dólar), muitos argentinos passaram a comprar no comércio de Foz do Iguaçu. Em alguns casos, produtos brasileiros custam a metade do preço em relação ao preço praticado na Argentina. Com as medidas restritivas, as vendas na região do Porto Meira (área fronteiriça) caíram 70%, conforme a associação comercial do bairro. Os quase 270 pontos comerciais do setor têm 80% das vendas voltadas para os argentinos.

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