Nos municípios de Astorga e Jaguapitã o tráfego de veículos foi impedido durante todo o dia de ontem. Os agricultores impediram até o trânsito de carros de passeio e só liberaram ambulâncias e veículos com pessoas doentes, além de viaturas policiais e veículos de órgãos de imprensa e de funerárias. Nas duas cidades, o comércio e as agências bancárias foram fechados.
  Em Astorga, os manifestantes bloquearam as saídas para Maringá desde terça-feira. No entanto, até ontem todo o trânsito era liberado a cada uma hora. ‘‘Avisamos a população para não sair de casa e eles estão respeitando’’, disse um dos produtores que preferiu não se identificar. No local, foram instalados banheiros químicos e servido lanche, água e refrigerante aos manifestantes. A Prefeitura também decretou ponto facultativo no município.
  Em Jaguapitã, no trevo que liga o município à Maringá, Londrina e São Paulo, o trânsito só foi liberado às 12 horas e puderam passar pelo bloqueio todos os veículos que aguardavam em fila. Segundo cálculos dos próprios produtores foram, pelo menos, quatro quilômetros. O tráfego só seria liberado novamente às 18 horas. Neste local, os manifestantes distribuíram adesivos contra o PT. Aliás, faixas com faixas de ordem e contra o governo federal puderam ser vistas em todas as manifestações.
  Críticas - ‘‘A agricultura está péssima, não temos condições para trabalhar e não conseguimos pagar o que devemos. A maior praga da agricultura é o Lula, que trouxe até a seca do Nordeste para o Sul’’, disse um agricultor, que preferiu não se identificar. ‘‘A agricultura está igual à areia movediça, quanto mais mexe, mais se afunda’’, completou um outro produtor. Já um outro agricultor acredita que o ministro Roberto Rodrigues, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, deveria pedir demissão do cargo. ‘‘Seria a melhor coisa para a agricultura. Ele (Rodrigues) não honra o cargo’’, acrescentou.
  O produtor Pedro Sergio Chinaglia, Cambé (13 km a oeste de Londrina), disse que tem 60 anos e que trabalha com agricultura desde os 15. ‘‘Está impossível de continuar, nunca vi uma crise assim. O câmbio afundou e levou junto a agricultura porque nós plantamos e depois vendemos com um custo 30% mais baixo’’, afirmou. Outro produtor Orestes Omodei, acrescentou que essa crise é de responsabilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ‘‘A estiagem contribuiu, mas tudo é responsabilidade do Lula, que dificultou o seguro e o crédito agrícola. Estamos na falência total, no fundo do poço’’, comentou. (F.M.)

mockup