Manifestação de produtores é mantida em 50 locais
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quarta-feira, 17 de maio de 2006
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - De acordo com informações das Polícias Rodoviária Federal e Estadual, cerca de 50 trechos de rodovias foram interditados ontem pelos agricultores do Estado. No final da tarde de ontem, os protestos na BR-277 tinham encerrado mas ainda havia 25 trechos interditados nas rodovias sob responsabilidade da Polícia Rodoviária Estadual. O único com fechamento total era na BR-369, Km 424 em Juranda, na região de Cascavel. Há a possibilidade de o protesto continuar nos próximos dias.
A única rodovia federal na qual os agricultores fizeram protestos foi a BR-277 em dois trechos. No Km 667 em Medianeira não houve bloqueio da rodovia pela manhã apenas manifestações com dez tratores. Às 13 horas, os produtores rurais realizaram um culto ecumênico no Km 670 da mesma rodovia. Com isso a pista ficou interditada por quase uma hora e meia. De acordo com o assessor econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque, o movimento foi pacífico.
Segundo ele, os locais de maior concentração de agricultores foram em Jataizinho, Toledo, Porecatu, Nova Esperança e entre Arapongas e Apucarana. Os agricultores usaram várias estratégias, interdição a cada 30 minutos em alguns locais, de hora em hora em outros, alguns com bloqueio só para caminhões e em outros com liberação de veículos pequenos. Na PRT 280, Km 136, em Palmas, no Sudoeste, a rodovia ficou completamente fechada. Em Maringá, não houve confronto nem congestionamento de veículos na rodovia. Os veículos estavam sendo liberados a cada 10 minutos.
Albuquerque disse que ontem houve uma reunião entre representantes da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e do Ministério da Agricultura na qual foi criado um grupo de trabalho para discutir a crise da agricultura. O governo federal já tinha anunciado que no dia 25 de maio serão anunciadas medidas estruturais e também o Plano Agrícola e Pecuário 2006/07 que devem trazer resposta para as reivindicações dos agricultores.
Ontem, os sindicatos do interior filiados à Federação de Transportes de Cargas do Paraná (Fetranspar) mantiveram alguns caminhões nas rodoviais em solidariedade ao movimento na região de Maringá. Na terça-feira, 70% das prefeituras fecharam as portas, mas ontem voltaram a funcionar normalmente. O bloqueio das estradas e ferrovias também ameaçava o abastecimento de combustível em Londrina, cidade na qual os revendedores tinham produto para três dias. ''Hoje (ontem) já está tudo normal. Não há risco de desabastecimento'', disse o presidente do Sindicombustíveis-PR, Roberto Fregonese.
Produtores rurais de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás - três dos principais Estados agrícolas do país- avaliam que a fórmula de bloquear rodovias já está ''desgastada''. Eles temem perder o apoio da população nos protestos contra a política do governo para o setor.


