Rio de Janeiro - A sede do BNDES, no Rio, que nos últimos dez anos foi ocupado três vezes por manifestantes, foi palco ontem de uma movimentação inusitada. Cerca de 50 metalúrgicos, com faixas e palavras de ordem, concentraram-se em frente ao prédio para um ato de agradecimento. Empolgado, o presidente do banco Carlos Lessa, acompanhado de seu vice, Darc Costa, foi ao encontro dos sindicalistas. Fato tão inédito quanto uma ''manifestação a favor''.
''Viva Lessa! Viva Lula!'', gritavam os manifestantes, inaugurando um novo tipo de ato sindical. O motivo da euforia foi a aprovação, na semana passada, de financiamento de US$ 197,4 milhões para a construção de quatro embarcações encomendadas pela Transpetro, do grupo Petrobras. A estimativa é de que a iniciativa contribua para a criação de 2.400 empregos.
Os gritos de protesto, tão comuns em manifestações da categoria, foram substituídos por aplausos, assovios e sorrisos. Lessa cumprimentou alguns sindicalistas e também discursou aos manifestantes. ''Estou comovido'', disse, observando que o ato foi bem inesperado. ''Bancos são instituições duras. Todos sabem. Não é uma instituição charmosa'', brincou.

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