Manifestação causa prejuízos no Paraná
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Cecília França<br> Reportagem Local 
O protesto dos caminhoneiros no Paraná atingiu ontem 46 trechos de rodovias, 26 estaduais e 20 federais. Supermercados do Estado já sentem os reflexos da paralisação, com falta de produtos. Cargas perecíveis, especialmente o leite, se perderam.
Segundo o superintendente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Valmor Rovaris, a região Sudoeste do Paraná enfrenta os maiores problemas de desabastecimento. Em Pato Branco, prateleiras de cereais estão vazias e, em Francisco Beltrão começam a faltar legumes, verduras e frutas. Maurício Bendixen, da regional Noroeste da Apras, diz que em Maringá e região lojas colocaram cartazes informativos sobre a falta de produtos, especialmente pães industrializados e hortifrutigranjeiros. "Somos abastecidos por São Paulo e Curitiba e os caminhões não conseguem chegar nos centros de distribuição e nas lojas", diz.
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) divulgou ontem um comunicado alertando pra o risco de desabastecimento e o "perigo à saúde pública e à segurança alimentar". Na nota, assinada pelo presidente, Ágide Meneguette, o setor ressalta que "enormes rebanhos estão em risco de colapso e causarão danos econômicos e sanitários inimagináveis, porque não existe logística para o descarte das carcaças". Além disso, "milhões de litros de leite serão jogados fora, podendo causar danos ambientais".
A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) se reuniu ontem com representantes do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Paraná (Sindileite) para discutir os problemas enfrentados pelo setor. Em Londrina, a Cooperativa Confepar está com a produção paralisada desde domingo.
Os protestos também estão impedindo a chegada de carregamentos de soja e farelo ao Porto de Paranaguá. Segundo a Administração dos Portos, todos os dias cerca de 2,4 mil caminhões desembarcam no local, no entanto, entre segunda-feira e ontem apenas 67 haviam alcançado o destino.
Na entrada de Londrina, a BR-369 foi fechada e a fila de caminhões alcançava o Parque de Exposições Ney Braga; um veículo bloqueava o acesso à PR-445. No pedágio, em Arapongas, apenas caminhões com cargas vivas eram liberados. Cargas perecíveis, como leite, foram barradas. Os manifestantes estimam que entre 500 e 800 caminhões estejam parados no local. Carros de passeio atravessam normalmente.
Márcio José Fagotti, um dos porta-vozes dos manifestantes, diz que o movimento pretende alertar para os altos custos do combustível e das tarifas de pedágio, a defasagem no preço do frete, entre outras dificuldades. Segundo ele, o pagamento pelo transporte reduziu nos últimos meses. "Para o Nordeste, recebia até R$ 18 mil, hoje está em R$ 12 mil. Para Trindade (PE), me sobraram R$ 400", compara.
Fábio Rogério Hernandes, caminhoneiro há 10 anos, diz que o custo das viagens cresceu muito com os recentes aumentos dos combustíveis e das tarifas de pedágio. "De Londrina para São Paulo a gente gastava 50% com diesel e pedágio; hoje, gasta 70% e sobram 30% para outras despesas", reclama.
Gilmar Batista, há 18 anos na atividade, diz que estavam sendo parados todos os veículos a diesel na entrada de Londrina, mas o impacto seria sentido por todos os motoristas, já que "a gasolina vai acabar". Além dos custos com combustível e pedágio, Batista diz que a manutenção dos veículos corrói o pouco lucro do caminhoneiro. "Se um pneu estoura eu tenho que fazer uma viagem para pagar, porque custa R$ 1,5 mil, em média", diz.


