Manifestação acaba em pancadaria em Curitiba
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Dia Nacional pela Luta das 40 Horas começou com violência em Curitiba. Ainda de madrugada, trabalhadores e membros da Força Sindical (FS), da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Central de Trabalhadores do Brasil (CTB) reuniram-se em frente às garagens de transporte coletivo, na tentativa de impedir a saída dos ônibus, como uma das ações de protesto pela redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas, sem perdas salariais.
Na Viação Sorriso, no bairro do Umbará, manifestantes e Polícia Militar entraram em confronto. Houve bombas de efeito moral, empurra-empurra, agressão física e tiros de borracha. ''A PM fez corredor polonês e bateu em qualquer um. Foi uma correria e muita gente se machucou. Estávamos pacificamente exercendo o nosso direito de protestar'', conta Paulo Zanetti, membro da Força Sindical. Segundo o presidente da Força Sindical, Sérgio Butka, os motoristas e cobradores aderiram ao movimento.
Para o presidente do sindicato da classe, Denílson Pires da Silva, ''a ação era prejudicial ao povo e mesmo apoiando às reinvidicações, não havia motivo para participar, uma vez que os funcionários tem carga semanal de 36 horas''. O início da circulação dos ônibus atrasou cerca de uma hora. Além da Sorriso, as viações Carmo, Água Verde, Curitiba e Redentor também foram focos de protestos. Conforme a Companhia de Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs), pela manhã o trânsito ficou complicado em vários pontos da cidade.
Pela manhã, as centrais sindicais reuniram 5 mil trabalhadores na Praça Rui Barbosa, no centro da cidade. Desta vez, não houve embate com a polícia.
Butka afirmou que com esta manifestação, a''Campanha 40 horas'' está encerrada no Paraná.
O próximo passo é a entrega de um abaixo-assinado ao presidente da república Lula, dia 4 de junho. O Estado arrecadou 100 mil assinaturas e 2,5 milhões no País. ''Cinquenta sindicatos apoiaram a causa e acreditamos na aprovação da PEC 393''.
Em apoio ao movimento, os professores da rede estadual de ensino reduziram de 50 para 30 minutos as aulas de ontem. A mobilização também faz parte de um conjunto de ações para a campanha salarial da categoria que contará com paralização dia 4 de junho.
Por meio da assessoria de imprensa, a PM informou que o tumulto nas garagens das empresas de ônibus aconteceu antes da chegada da polícia. Os manifestantes teriam agredido funcionários da empresa que tentavam evitar o piquete. A assessoria confirmou que foi usada uma bomba de efeito moral para conter a confusão ''sem enfrentamento físico''.


