O agricultor Paulo Tanaka é o único que produz frutas orgânicas no município de Carlópolis. Atualmente ele cultiva, em uma área de 33 hectares, lichia, manga, café e abacate, tudo produzido organicamente.
A plantação de lichia, que ele começou em 1998, ocupa uma área de 2,2 hectares. Tanaka toca sozinho a propriedade, travando, segundo ele, uma verdadeira batalha para continuar produzindo. A exemplo de outros produtores ele reclama do valor que recebe, na maioria das vezes, pelas frutas.
''Eu resisto por amor ao que eu faço. Muita gente me diz para deixar essa 'loucura' de produzir orgânicos, mas eu sempre achei que tem que ser assim, sem prejudicar o meio ambiente. Eu fico sem a minha propriedade, mas não desisto do orgânico'', diz o produtor.
Ele conta que para ter seus produtos considerados orgânicos precisa comprovar que os mesmos são cultivados sem insumos químicos para obter o selo de certificação, no seu caso fornecido pela Ecocert, empresa certificadora francesa. Para manter o selo é preciso pagar uma taxa de aproximadamente R$ 2 mil por cada vistoria, feita anualmente.
Um passeio com Tanaka pelo sítio mostra um pouco da criatividade que o produtor de frutas orgânicas deve ter para não utilizar produtos químicos. Um exemplo é o feijão de porco, leguminosa que ele planta entre os pés de lichia para ajudar a hidrogenar o solo e servir de adubo futuramente.
Sobre a possibilidade de crescimento do mercado externo para frutas orgânicas, descrita com entusiasmo por Ma‹ Decombe, Tanaka prefere ser cauteloso. ''Vamos ver como vai ser a aceitação do nosso produto'', diz o produtor, que está vendendo metade da sua propriedade para saldar dívidas. (C.G.)

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